Madame Eva Mme Eva quarto numero | Page 28

Madame, aliás, que àquela altura não tinha nome. Fora chamada de“ Quarta!”;“ A Croata”;“ O Paquete”;“ Luciana”… E tantos outros nomes despropositais que em nada refletiam as intenções dos editores. Foi por um acaso, como que por um estalo, que o mais velho dos editores sugeriu“ Sr. F”, o mais novo retrucou com“ Sra. E” e o do meio conclamou:“ Madame Eva”. Aos bois, o nome: era Eva e era Madame. O consenso se formou tão depressa e tão espontâneo quanto a sugestão. Cada um viu em“ Madame Eva” o que entendia ser aquele embrião de todo o projeto.
Porém, mesmo com o nome escolhido, ainda faltava muito para tirar – ou botar – Madame no papel. Faltava padronizar as páginas, criar uma cara, uma constância, uma identidade estética àquela que já se chamava, carinhosamente, de Eva.
Folheando as páginas de uma antiga revista de vanguarda do início do século XX, as margens retilíneas vieram ao ideário do editor mais velho. Rabiscou num papel e mandou aos outros dois … Puxa daqui, ajeita dali, alonga pra cá, encurta pra acolá, meras formalidades: o traço era aquele.

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A ideia da capa, Eva segurando sua maça, veio, por obra do acaso, após a visita ao apartamento da artista plástica de Júlia Paixão, em Sergipe, onde o editor mais moço passava suas férias. Na parede, um desenho idêntico ao que aparece na capa, mas em que a mulher, nua, segura uma flor. Júlia concordou em repetir o desenho, fazendo da anônima mulher a Eva que se queria Madame, com uma maçã mordida à mão. E Júlia insistiu em borrar cada maçã, de cada capa, com uma das três cores primárias, a simbolizar o início de tudo, mas de forma a deixar o desfecho em aberto.
Com capa, margem, nome e textos, faltava uma carta credencial. Assim, a três mãos, escreveu-se o primeiro“ Sobre Madame” e resolveu-se que cada editor assinaria, a próprio punho, seu nome aos pés daquele texto introdutório.
Mais textos vieram, mais ilustrações os acompanharam, e em pouco menos de três meses havia material e ordem suficientes para lançar o primeiro número da Madame Eva.
Sem os vultuosos patrocínios que mais tarde viriam – ou“ virão”, melhor dizer – fez-se preciso rodar o país em busca dos melhores custos / benefícios para a impressão física. Foi pelos sólidos contatos do Seu Zé Viana, magnata aposentado do Setor de Gráficas da capital federal, que aos poucos se chegou ao trabalho caprichoso de Carlos, indicado por Lindauro, e toda sua equipe de tipógrafos.
Assim, na segunda quarta-feira de doismilidesessete, na Livraria Paraiso, da Dona Fátima Dias, na Rua dos Ipês, em Salvador, foi lançada, sem muito alarde, o primeiro número da Madame Eva, Revista de Tautologias. Tempos depois seria lançada no Rio de Janeiro e depois em Brasília, sempre em ordem histórica. Hoje esse primeiro número está aqui, acessível a todo mundo, no mundo todo.