A História do Guião da Festa de Natal (cont.)
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Veio então uma grande guerra, e quase todos os jovens se viram obrigados a partir, deixando para trás aquela cidade, agora ainda mais pobre e triste. Os soldados corriam apressadamente de um lado para o outro, tentando ajudar a multidão que abandonava a cidade. No ar ressoava o som dos motores de avião, um ruído forte e assustador que silenciava todas as pessoas que partiam daquela cidade…
- Vou procurar um sítio no qual eu e a minha família, possamos viver em paz!
- Deixámos tudo para trás, a nossa casa, os nossos amigos, a nossa cidade… esperamos um dia poder voltar e viver em paz!
Ano após ano, o pobre homem via como os habitantes daquela cidade a abandonavam, vítimas da fome, da falta de emprego, de esperança…
Ainda assim e, apesar de todas as adversidades, o pobre sapateiro continuava a viver a sua vida cheio de esperança, pois continuava a acreditar num futuro melhor e, dia após dia, lá colocava a sua velinha à janela para poder iluminar o caminho de quem por lá passasse.
Foi então que, um dia, as pessoas que ainda viviam na cidade repararam naquele gesto do sapateiro. A persistência daquele homem, que continuava a viver a sua vida cheio de esperança e de bondade acabou por contagiar os restantes habitante que, achando que nada tinham a perder, decidiram imitá-lo!
Naquela noite, na véspera de Natal, muitas foram as famílias que acenderam em suas casas uma vela. E, pela primeira vez, em muitos, muitos anos, a cidade estava novamente iluminada. No ar, o som dos aviões começava a deixar de se ouvir e, aos poucos, o ruído dos motores dos aviões e tiros de espingardas,