VAMOS ESCREVER POESIA
Flutuo, acima das águas mansas
São pensamentos que me levam
Onde a gravidade não deixa
Onde o tempo não permite
Perscruto a rua à tua procura
Se ainda estivesses aqui
Sei que gostarias de deambular, divertida, nestes caminhos que percorro
Serias um movimento de eloquência e ventania
Brincarias com as folhas no chão
E o teu olhar transpiraria doçura e energia
E no final do dia
Adormecerias junto a mim
Abraçados
Ignorando as leis do impossível
Sei que sim.
Rodo no centro da avenida.
Sou um ponto de saudade entre a multidão que se agiganta
Ao longe, uma fonte com um fio de água a crescer
Transporta sonhos e memórias nessa escorrência
E o horizonte avermelhado do final de um dia de Verão
Reconstrói o momento, como se as imagens que me percorrem o pensamento se materializassem ali... completas... intensas...
Como se aqui estivesses...
Mas não estás
Não és presente
És a labareda viva que permanece
Acesa, num recanto do jardim,
Dentro do que sou.
Pedro Barão de Campos
Poema presente no livro "Devaneios do meu amor por ti", a publicar em breve.
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