ISTOÉ Dinheiro ISTOÉ Dinheiro -- Lara Kinue | Page 8

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Transparência nos negócios: a Vivix, fábrica vidros planos, se tornou a maior empresa do segmento no País em menos de quatro anos de operação

diz Cornélio. “Temos grandes planos de crescimento na área de geração de energia.”

No ano passado o grupo investiu R$ 375 milhões em duas novas hidrelétricas, no Mato Grosso do Sul, que devem entrar em operação no segundo semestre de 2019. Os dois empreendimentos devem produzir uma capacidade de mais 200 MW. Outros oito projetos de hidrelétricas estão em estágio de desenvolvimento. A geração de energia eólica e solar aparece como os próximos passos para a Atiaia. O Grupo planeja a construção de três parques eólicos, no Rio Grande do Norte e no Ceará, que também podem gerar até 280 MW. A instalação de parques solares e híbridos também está nos planos, mas ainda estão em fase de estudos. Para concretizar esses projetos de energia, a estimava é de um investimento de cerca de R$ 3,8 bilhões nos próximos dez anos. “A expectativa é ter um portfólio de 500 MW a 600 MW com hidrelétrica, solar e eólica”, afirma Cornélio.

Entre as três frentes do grupo, a cimenteira é a menos promissora. A Cimento Bravo, resultado da união do Grupo Cornélio Brennand com a Queiroz Galvão, começou a operar em 2014 em São Luis, no Maranhão, com uma capacidade instalada de 500 mil toneladas ao ano. No entanto, o setor, que viveu um período de exuberância no Brasil de 2004 a 2014, entrou em crise a partir de 2015 “São quatro anos de queda de receita”, diz Paulo Camillo Penna, presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). “Havia expectativa de crescimento de 2% neste ano, mas agora projetamos queda de 2%.” Isso fez com que Brennand decidisse interromper a produção da fábrica. “Estamos com esse empreendimento congelado aguardando um novo ciclo de crescimento da economia brasileira”, diz ele.

A cimenteira marca o reencontro dos Brennand com o setor. Em 1999, eles decidiram vender as três fábricas para a Cimentos de Portugal (Cimpor). A família detinha 5% de participação de mercado, mas a chegada das multinacionais era vista como um entrave para a continuidade no setor. Foi quando o grupo recebeu a proposta de US$ 590 milhões. Mas a transação causou desavenças entre os primos Cornélio e Ricardo, que discordavam sobre como dividir o recurso. A solução veio em 2002, quando Cornélio comprou a participação de Ricardo e foram criados dois grupos Brennand.

A desavença faz com que os Brennand queiram tapar com cimento a briga familiar. Os encontros entre Cornélio e seu primo Ricardo são reduzidos a eventos sociais familiares, como casamentos. Embora ambos possuam empreendimentos nos mesmos ramos, eles seguiram caminhos diferentes. Ricardo passou a se dedicar às artes, seguindo o mesmo caminho de Francisco Brennand, seu outro primo. Ambos são importantes figuras no cenário das artes no Nordeste. Um pelo Instituto Ricardo Brennand, complexo de palácios com um acervo de artes e itens históricos, e outro pela Cerâmica Francisco Brennand, um museu de arte brasileira. Cornélio preferiu se dedicar à arte de fazer negócio, algo que tem buscado passar para os filhos, a quarta geração da família. Eles têm certo.”

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Colaborou Carlos Eduardo Valim

A rede Four Seasons almejava vir para o Brasil há algum tempo, mas não encontrava um parceiro para o negócio. Como foram as negociações com eles?

Essa conquista foi resultado de muita vontade, planejamento e esforço. A Iron House foi criada inicialmente com objetivo de desenvolver terras adquiridas pela empresa ao longo dos anos. Nós nos desfazíamos de alguns negócios e ficávamos com os terrenos. Agora, é diferente. Entendemos que era necessário mostrar a nossa capacidade de executar projetos sofisticados e complexos para atrair parceiros dessa área de negócio. Apesar de não ser nosso perfil, é quase uma obrigação investir em associação [no Four Seasons, 50% é do Grupo Cornélio Brennand e 50% do fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos]. Tem de dividir o risco e fazer os parceiros participarem do empreendimento. É uma regra. Nós queríamos mostrar que tínhamos essa capacidade de execução. Foi quando trabalhamos para atrair a rede. Acreditamos que fizemos um bom casamento com o Four Seasons.

Quais são os investimentos projetados para os próximos anos?

Pretendemos investir, nos próximos cinco anos, aproximadamente R$ 1,7 bilhão em energia elétrica, em uma nova unidade de vidros planos no Sudeste e na área de desenvolvimento imobiliário.

O Nordeste concentra grande parte dos negócios do Grupo. Por que o sr. decidiu expandir para outras regiões?

O empresário pernambucano Cornélio Brennand, dono do grupo que leva seu nome, detém negócios na indústria e nos setores de energia e imobiliário. Ele falou com exclusividade à DINHEIRO:

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