Império Caído Volume 1 | Page 20

Poderia jurar que ele já está aqui se esta sala não fosse tão branca. Ele parecia exibir um pequeno retorno à sanidade. — Mas você tem feito um grande trabalho rabiscando nas paredes, logo a sala vai ser mais cinza que branca. Os zeladores não estão nada satisfeitos com isso. — Eu apenas estou tentando avisá-los, doutor. — Ele me encarou com um olhar não de súplica, mais de imposição. — Está vindo, o Amarelo está vindo e seu nome está nas paredes e no sangue, fujam enquanto é tempo. Ele estará aqui quando tudo acabar para levar o último homem à loucura, assim como já estava quando o primeiro irrompeu dos mares. Não consegui que ele falasse mais e decidi me retirar. Apesar de trabalhar no manicômio há anos, desde que ele rabiscou aquele nome nas paredes aquele quarto tem um efeito estranho em mim. Ao anoitecer todos os pacientes se recusaram a comer e até mesmo os mais barulhentos ficaram em silêncio, depois que o sol se pôs não houve uma voz ou barulho sequer em todo o prédio, assim que o sol nasceu ouve uma grande cacofonia. Todos repetiam as palavras que Ricardo dissera de forma dissonante, mas ritmada — como um cântico tribal. Não tardou para que um enfermeiro me trouxesse a notícia, Ricardo foi encontrado morto em seu quarto, aparentemente cortou a própria língua com uma mordida e se engasgou com ela. Um fim trágico para um pobre homem. Acabo de voltar do quarto dele, fui ver se ele havia deixado algo estranho, a única coisa que achei, porém, foi esse gato. Não sei de onde ele veio, primeiro pensei que o paciente o estava escondendo em seu quarto e usava suas garras para rabiscar a parede, mas elas não estão nem um pouco desgastadas. Conforme vinha caminhando de volta ao meu escritório com o