Império Caído Volume 1 | Page 19

Relato 4: O gato “O paciente de nome Ricardo Eliseu, número de identificação 723 não possui nenhuma melhora visível. É o caso mais complicado que vejo desde que saí da faculdade. Foi internado no início do inverno, inicialmente diagnosticado com síndrome de borderline, mas há uma semana a situação mudou. Ele estava na biblioteca e de repente começou a gritar coisas sem sentido, repetia as palavras ‘Ik ferslacht jo lyts, ik sliepe jo op ien kear’ e ‘o amarelo nos achou, eu o vi através de seus olhos metálicos e ele me viu de volta’. Desde então o deixamos preso em seu quarto, ele tem rabiscado nas paredes o nome ‘Ansoask’, palavra do frísio que significa ‘suspiro’. Não sabemos como descobriu esta palavra nem com o que ele rabisca — os enfermeiros mantém suas unhas curtas e não há nada removível em seu quarto. Ontem, depois do almoço, tentei estabelecer uma conversa com ele. — Boa tarde, Ricardo. Como está se sentindo? Ele me ignorou e continuou encarando a janela, olhando para o céu. — Bem, eu gostaria de saber o que você está pensando agora. — O Amarelo está vindo, doutor. Eu avisei vocês. Ik ferslacht jo lyts sliepe jo op ien kear. Ele pronunciou as palavras estrangeiras de forma exageradamente rouca, como se as mesmas estivessem se arrastando por sua garganta. — O que é o Amarelo? — É a cor, doutor. A cor da loucura que se arrasta do fundo da mente humana e rasga seu caminho através da luz visível.