a traçar o baralho, senti um vento frio e uma das cartas saiu
voando pela janela.
— Você ganhou… — A voz da moça me acordou. Eu estava
de volta ao bar, na verdade nem tinha saído dali. A moça
colocou o livro sobre a mesa e saiu cabisbaixa.
Não joguei mais, saí dali e vim direto para casa, o velho não
estava na encruzilhada. Mais uma vez não consegui dormir, o
calor era insuportável. Abri a janela, mas algo me empurrou.
Senti a cada, o ar frio e, por fim, o impacto. Então eu acordei de
novo.
— Você ganhou…
Saí correndo, deixei o dinheiro, o livro, até mesmo minhas
cartas. Assim que entrei em casa fechei a porta e me sentei no
chão, o que foi aquilo? Talvez tivessem drogado minha bebida.
Me levantei e fui tomar um banho para esfriar a cabeça e para
me refrescar do calor. Foram nem cinco minutos depois de
entrar em casa. Ouvi a porta se abrindo e um baque seco.
Desliguei o chuveiro, o som da porta se fechando ecoou pela
casa. Me enxuguei e vesti a toalha. Assim que abri a porta do
banheiro, ele estava ali. O livro de capa metálica com quatro ou
cinco rostos. Peguei-o e abri. Folhas em branco e um cheiro
doce de laranjas. Acordei novamente.
— Você ganhou…
— Moça, pode ficar com o livro. — Ela sorriu, mas negou
com um aceno.
Encerrei a jogatina e fiquei ali, bebendo, até o dia amanhecer.
Encarando o estranho livro. Quando consegui tomar coragem
voltei a folheá-lo, li o nome, li a frase e li os relatos. Pedi ao
barista uma caneta e comecei a escrever esse, mas logo veio uma
dor excruciante e cai com sobre a mesa. Mais uma vez acordei.
— Você ganhou…