Império Caído Volume 1 | Page 17

a traçar o baralho, senti um vento frio e uma das cartas saiu voando pela janela. — Você ganhou… — A voz da moça me acordou. Eu estava de volta ao bar, na verdade nem tinha saído dali. A moça colocou o livro sobre a mesa e saiu cabisbaixa. Não joguei mais, saí dali e vim direto para casa, o velho não estava na encruzilhada. Mais uma vez não consegui dormir, o calor era insuportável. Abri a janela, mas algo me empurrou. Senti a cada, o ar frio e, por fim, o impacto. Então eu acordei de novo. — Você ganhou… Saí correndo, deixei o dinheiro, o livro, até mesmo minhas cartas. Assim que entrei em casa fechei a porta e me sentei no chão, o que foi aquilo? Talvez tivessem drogado minha bebida. Me levantei e fui tomar um banho para esfriar a cabeça e para me refrescar do calor. Foram nem cinco minutos depois de entrar em casa. Ouvi a porta se abrindo e um baque seco. Desliguei o chuveiro, o som da porta se fechando ecoou pela casa. Me enxuguei e vesti a toalha. Assim que abri a porta do banheiro, ele estava ali. O livro de capa metálica com quatro ou cinco rostos. Peguei-o e abri. Folhas em branco e um cheiro doce de laranjas. Acordei novamente. — Você ganhou… — Moça, pode ficar com o livro. — Ela sorriu, mas negou com um aceno. Encerrei a jogatina e fiquei ali, bebendo, até o dia amanhecer. Encarando o estranho livro. Quando consegui tomar coragem voltei a folheá-lo, li o nome, li a frase e li os relatos. Pedi ao barista uma caneta e comecei a escrever esse, mas logo veio uma dor excruciante e cai com sobre a mesa. Mais uma vez acordei. — Você ganhou…