Relato 3: O Cartista
“O jogo era simples, eu tirava três cartas, ela tirava três
cartas. Quem tivesse uma soma maior ganhava a aposta da
rodada, com minhas cartas marcadas foi fácil ganhar dela uma
dúzia de vezes. Mas, com um estranho sorriso ela jogou mais
uma vez, apostando esse velho livro. Eu aceitei, afinal parecia
uma antiguidade, talvez valesse algo.
As cartas foram viradas e, como esperado, eu ganhei
novamente, ela saiu cabisbaixa, deixando o livro sobre a mesa.
A noite foi longa, consegui um bom dinheiro e, na
madrugada, sai do bar a caminho de casa, o livro embaixo do
braço e o dinheiro na carteira.
Estava quase chegando, quando, em uma encruzilhada de
terra batida, avistei um homem. Ele estava sentado no chão e
traçava um baralho velho, vestia uma roupa amarela surrada e
suja de areia.
— Ei, moço. Quer jogar? — A voz era rouca.
— O que tá jogando, meu velho?
— Vinte e um. Que tal uma aposta?
— Ah, desculpe, mas não jogo isso.
Eu já começava a sair quando senti a mão gelada na minha
nuca, me virei para responder, mas o homem não estava mais
ali. Só uma carta no chão. Ignorei a bizarrice e segui meu
caminho.
Naquela noite não consegui dormir, virei de um lado para o
outro na cama, estava calor demais, abri a janela, liguei o
ventilador, mas de nada serviu. Quando desisti eram quatro
horas da manhã, algo assim. Me sentei na cama e peguei as
cartas, parecia ter um zumbido vindo delas. Peguei-as e comecei