Hatari! Revista de Cinema HATARI! #02 Teen Movies (2015) | Página 95

Tobe Hooper finaliza a cena com um close fechado de um moinho de vento enfer- rujado, cujo ruído prepara a transição para a próxima cena. Este plano pode ser visto como uma homenagem direta do cineasta norte-americano à sequência de abertura de Era uma Vez no Oeste (C’era uma volta il West, 1968), Sergio Leone, outra célebre cena sem diálogos em que os ruídos são uti- lizados como música, e que parece ter sido a fonte principal de influência para o sound design do duplo assassinato. A sequência descrita e analisada sinteti- za a principal virtude do som de O Massacre da Serra Elétrica: o reforço ousado e origi- nal à tendência ainda tímida, e que se torna- ria mais e mais importante nos anos que se seguiram, à dissolução das fronteiras entre a música e os efeitos sonoros, a partir do con- ceito de musique concrète. Antes de 1974, foram raríssimos os filmes norte-americanos que investiram nesse tipo de representação sonora – os trabalhos pioneiros de Leone, Jean-Luc Godard e Robert Bresson ainda es- tavam circunscritos à Europa. Além disso, em termos de música feita para filmes de horror, também é possível afirmar que O Massacre da Serra Elétrica está entre os pioneiros na utilização da mú- sica drone – um tipo de música minimalis- ta, que enfatiza notas moduladas através de efeitos eletrônicos, sem construir melodia, harmonia ou ritmo. Esse tipo de música se tornou hegemônica em filmes de horror norte-americanos, a partir dos anos 1990, por uma série de razões – sobretudo porque possui forte característica de imprevisibili- dade, permitindo aos cineastas que a usem de modo a adicionar tensão e suspense.