Hatari! Revista de Cinema HATARI! #02 Teen Movies (2015) | Page 85
americano anterior à guerra. O único objetivo da divisão em planos é analisar o acontecimento
segundo a lógica matemática ou dramática da cena. É sua lógica que faz com que essa análise
passe despercebida; a mente do espectador adota naturalmente os pontos de vista que o diretor
lhe propõe, pois são justificados pela geografia da ação ou pelo deslocamento do interesse
dramático. (...) Ao criar a montagem paralela, Griffith conseguiu dar conta da simultaneidade
de duas ações, distantes no espaço, por uma sucessão de planos de uma e da outra.
A partir do didático excerto de André Bazin em seu texto A Evolução da Linguagem
Cinematográfica adentraremos numa breve análise relativa à sequência de A Morta-Viva cul-
minando no assassinato de Jessica pelo cunhado Wes, que a amara secretamente. O horizonte
de eventos desta sequência se dá da seguinte maneira:
1) Wes, à mesa, solitário e ébrio observa Jessica caminhando no pátio de Fort Holland em
direção ao portão. Ela para ao se deparar com as barras de ferro.
2) o feiticeiro Vodu atraindo uma boneca de Jessica no Houmfort. Ela para de ser atraída.
Ele então cochicha algo para seu assistente.
3) Wes se levanta e abre o portão, liberando o caminho para Jessica, e a observa se afastar.
Se dirige à figura de proa Ti-Misery, espetada por flechas. Wes então retira uma dessas flechas
de seu torso de madeira maciça. Ele sai pelo portão, atrás de Jessica.
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