Hatari! Revista de Cinema HATARI! #02 Teen Movies (2015) | Page 54
ser lido inclusive como a volta de Alice à
sua casa, o filme e o cinema de Larry Clark
têm essas questões como pontos menores e
menos importantes. Não por escolha cons-
ciente, mas pelo fato de a juventude ter uma
força maior e mais bela que as da moral do
estado. São as peculiaridades desse período
humano que vão saltar aos nossos olhos. Por
mais que o diretor diga aparentemente ou-
tras questões sobre seu cinema, entenda ele
de uma forma diferente e coloque principal-
mente na narrativa sua visão moral e adulta
do mundo, é o mito da adolescência que con-
tinuará vivo na sua escrita cinematográfica.
A importância que essa fase teve na sua vida
é mais forte do que as crenças teóricas que
tem sobre a sociedade, e isso estará presen-
te até no último plano de Wassup Rockers.
“Bola de esperma”, um dos skatistas, passa-
rá o filme inteiro pedindo para ser chamado
de Milton, pois agora esse é o nome dele.
“Bola de esperma” é seu apelido há muito
tempo, desde criança, e todos continuam re-
conhecendo-o assim. Na última breve cena
do filme, todos os garotos se despedem dele
chamando-o de Milton. O último plano será
o close do seu rosto. Toda essa história foi o
rito de passagem para nossos personagens,
que conheceram o mundo, podre, sujo e in-
justo, porém com momentos de verdade, be-
leza e juventude.
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