Grupo Marcos - Magnetismo Grupo Marcos - Magnetismo | Página 65
É possível tenham os suposto que desisti do
tr abalho, no entanto, ainda hoje, bati, em
vão, de oficina a oficina? M uitos disser am
que ultr apassei a idade par a ganhar
dignam ente o m eu pão, com o se a
m adur eza do cor po fosse condenação à
inutilidade, e outr os, desconhecendo que
vendi m inha r oupa m elhor par a aliviar a
esposa
doente,
despedir am -m e
apr essados, acr editando-m e vagabundo
sem pr ofissão.
N ão sei se notaste quando o guar da m e
ar r ancou à contem plação da vitr ina, a
gr itar m e palavr as dur as, qual se eu fosse
vulgar m alfeitor . Cr ê, por ém , que nem de
leve m e passou pela m ente a idéia de fur to;
apenas adm ir ava os bolos expostos,
r ecor dando os filhinhos a m e abr açar em
com a fom e, quando r etor no à casa.
I gnor o se obser vaste as pessoas que m e
ender eçavam gr acejos, im aginando-m e
em br iagado,
por que
eu
tr em esse,
encostado ao poste; afastar am -se todas,
com m anifesto despr ezo, contudo não tive
cor agem de explicar -lhe que não tom o
qualquer alim ento, há tr ês dias?
A ti, por ém , m e fitaste sem m edo, ouso
r ogar apoio e cooper ação. Agr adeço a
dádiva que m e estendas, no entanto, acim a
de tudo, em nom e do Cr isto que dizem os
am ar , peço m e r estituas a esper ança, a
fim de que eu possa honr ar , com alegr ia, o
dom de viver . Par a isso, basta que te
apr oxim es de m im , sem asco, par a que eu
saiba, apesar de todo o m eu infor túnio, que
ainda sou teu ir m ão.
O qu e esse m en sagem n os en sin a? A ol h ar , a
per ceber ! El a n os l eva a qu estion ar n ossas
cer tezas sobr e o ou tr o, cer tezas qu e cau sam
in for tú n ios e, con sequ en tem en te, fazem
n osso ser en vol ver -se em tr evas.
Em m an u el , n o capítu l o 1, do l ivr o Ch i co
Ped e L i cen ça, n os aju da e edu car a
per cepção. É u m a excel en te or ien tação de
edu cação m ediú n ica.
N O M OM EN TO DE JUL GAR
N o m om ento de julgar alguém , com o
poder ás julgar esse alguém , de todo, se não
conheces tudo?
Ter á sucedido um cr im e, estar r ecendo a
m ultidão.
Suponham os
que
um
hom em
desequilibr ado haja posto um a bom ba em
cer ta casa, no intuito de destr uir -lhe os
m or ador es. Entr etanto, por tr ás dele estão
aqueles que fabr icar am o engenho
m or tífer o; os que o conser var am par a
utilização em m om ento opor tuno; os
outr os que lhe identificar am o per igo,
apr ovando-lhe a existência; e aqueles
outr os ainda que, indifer entes, lhe
acom panhar am o fogo no estopim , sem a
m ínim a disposição de apagá-lo.
De que m aneir a m edir ias o r em or so do
espír ito de um hom em assassinado, na
hipótese desse m esm o assassinado haver
pr ovocado o seu contendor até que o
antagonista lhe fur tasse o cor po, num
instante
de
insanidade?
E
com o
obser var ias o pesar do sem elhante, à
vezes,
ilhado
no
fundo
de
um a
penitenciár ia,
na
posição
de
um
vivo-m or to, quando o im aginado m or to
per m anece vivo? E com que m etr o
ver ificar ias o sofr im ento de um e outr o?
Com que pancadas ou palavr as agr essivas
conseguir ias punir , dur ante algum as
hor as, a cr iatur a m enos feliz que já
car r ega em si o tor m ento da culpa, à
feição de suplício que lhe atenaza o
cor ação, noite e dia?
Ant e a queda m or a l de a lguém , é m a i s
r a zoá vel ent r a r m os pa r a logo no a ssunt o,
na condi çã o de pa r t í ci pes dela , a nt es que
nos a lcem os à i ndébi t a funçã o de
censor es.
N ão pr ecisar íam os tanto de justiça, se não
pr aticássem os a injustiça e nem tanto de
m edicina se não tivéssem os doença.