predominando os extratos gerenciais dos altos escalões da
direção política.
A governança democrática é um modo de governar que está
emergindo na atualidade como consequência da crise do
governo provedor e gestor de recursos e, em especial, pela
obsolescência e anomalias provocadas pelo modo gerencial.
Nas palavras de D. Innerarity, sua finalidade é “a colaboração entre o governo e a sociedade civil para a regulação dos
assuntos coletivos com critérios de interesse público”.10
O que caracteriza a governança é a gestão das interdependências, gestão relacional (ou de redes). É um tipo de gestão
específico que se baseia em um conjunto de técnicas, instrumentos e processos para alcançar a construção compartilhada
do desenvolvimento humano em um território.
Os valores próprios da governança que a faz avançar como
modo de governar são: respeito, tolerância, participação, racionalidade, confiança, compromisso e colaboração. Ou seja, ela se
baseia na gestão das interdependências, mas não é igual à
gestão relacional, sendo, na verdade, muito mais ampla. Governança é uma ação de governo que tem múltiplas dimensões:
normativo-legal, provedora e de gestão de serviços; porém, ao
ter como seu principal objetivo a colaboração entre a sociedade
civil e o governo para responder aos desafios sociais, é a gestão
relacional que assume a relevância e o papel estruturante de
todas as funções de governar. As funções legal e de gestão de
serviços são reestruturadas pela governança, de tal modo que
as características exigidas das mesmas serão diferentes das que
adquiriram nos modos burocrático e gerencial.
A governança coincide com o modo gerencial em sua
rejeição ao governo hierárquico, mas, ao contrário dele, não
10 Ver INNERARITY, D. El nuevo espacio público. Madrid: Espasa-Calpe, 2006, p.
209.
Governança Democrática: Construção coletiva do desenvolvimento das cidades
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