desenvolvimento a serem considerados, podendo, portanto, se
diferenciar das propostas eleitorais.
As ações de governo sustentadas na definição de objetivos
de desenvolvimento humano, e não na prestação de serviços no
território, permitem uma maior e melhor colaboração em vários
níveis de multilateralismo entre governos. Isto é, entre governos
locais, regionais ou estaduais ou, ainda, entre governos do
mesmo nível. Ela dá um significado mais amplo e profundo à
participação cidadã, entendida como corresponsabilização da
cidadania, e não simplesmente como reivindicativa ou auxiliar
das políticas públicas.
A política democrática como capacidade de
representação
A governança democrática exige o fortalecimento organizativo e da representação da sociedade civil. A tarefa de construir
o interesse geral, a partir dos interesses dos distintos atores e
setores sociais, é mais efetiva se os diferentes interesses estiverem bem definidos e os interlocutores representarem os
diversos coletivos. Governança democrática e capacidade de
representação são conceitos que se condicionam mutuamente.
Maior representatividade, melhor governança e vice-versa.
De todos os modos, o papel determinante é o da governança, pois, uma prática decidida do governo baseada na gestão
das interdependências tem, sem dúvida, efeitos organizativos e
de melhoria da representação da sociedade civil. Porém, sem
dúvida, o fator crítico para uma boa governança democrática é
a qualidade de representação do governante eleito.
Se a liderança na gestão das interdependências em um território pertence a uma universidade, ao empresariado ou à igreja
etc., estamos diante de uma liderança corporativa, pois mesmo
que ela se origine de uma instituição democrática, seu repre162
Governança Democrática: Construção coletiva do desenvolvimento das cidades