Fraternidade. Releitura civil de uma ideia que pode mudar o mundo FRATERNIDADE_MANIERI | Page 59
Fraternidade. Releitura civil de uma ideia que pode mudar o mundo
responsabilidade por quem é igual e autônomo”. 43 Para Jonas, a
responsabilidade não se apoia na relação recíproca, mas numa
relação análoga à que existe entre pais e filhos. Relações de res-
ponsabilidade recíproca são certamente possíveis, mas só no
caso de difíceis esforços coletivos em que cada qual deve poder
contar com o outro, todos se tornam reciprocamente guardiães
de seu irmão e o que conta é mais o êxito dos esforços do que o
bem ou o mal do irmão.
Mas, se se excluir a fraternidade, o paradigma da responsabi-
lidade baseado nos genitores se tornará, de fato, a reproposição do
modelo mais antigo, o do paternalismo 44 em suas formas mais
diversas; o sonho de um retorno a relações pré-modernas entre os
homens, em que um novo patriarca (o Estado? a Igreja? o Partido?
o Outro?) exerce a responsabilidade paterna por aqueles que, nem
iguais nem autônomos, são incapazes de fazer uso de sua razão e
entrar num circuito fraterno de responsabilidade.
Ao contrário, o dilema que somos chamados a resolver e
cuja urgência percebemos nas questões de tolerância que
emergem no terreno das possibilidades e dos riscos do progresso
científico e tecnológico no campo da vida, é o de como dar res-
posta à dupla exigência de proteger a existência da humanidade
futura, bem como a liberdade, a autonomia e a justiça para a
humanidade presente.
Sob este aspecto, a tolerância e a responsabilidade fra-
ternas vivificam uma ética que não se ancora na intolerante e
antimoderna ressacralização da vida, mas na autocompreensão
43 Idem, p. 119-120.
44 Cf. M.G. Furnari, Un’idea del nostro tempo: la responsabilità di H. Jonas, in G.
Giordano (org.), Filosofia ed etica, Soveria Mannelli, Ed. Rubbettino, 2005; da mes-
ma autora, cf. Tra autonomia e responsabilità. Percorsi di bioetica, Soveria Mannelli,
Ed. Rubbettino, 2000.
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