Fraternidade. Releitura civil de uma ideia que pode mudar o mundo
rança no futuro quando não nos sentimos mais em casa num presente denso de contradições e aporias. 11
O legado mais vivo de Marx,“ contra toda petrificação do presente e contra toda desertificação do futuro”, é a esperança num amanhã diferente e melhor,“ subtraído às leis da produção capitalista que nos são continuamente propostas como eternas”. 12
Além disso, à diferença de outros pensadores críticos do capitalismo, ele propõe uma ligação incindível entre teoria e práxis política; assim, a história de seu pensamento – e nisto reside sua excepcionalidade 13 – está constantemente entrelaçada, desde 1848 até a queda do Muro de Berlim, com os acontecimentos do mundo. Também por isso, crer que se possa relegar Marx a um passado sem mais nada a dizer sobre os conflitos de hoje“ seria uma atitude tão errada quanto aquela que o transformou na esfinge do cinzento socialismo real do século XX”. 14
Como crítico inigualado do sistema de produção capitalista, o espectro de Marx“ está fadado a rondar o mundo e a agitar a humanidade ainda por muito tempo”. 15
Se Kant é o sagaz cantor da revolução da ratio moderna, Marx, nisto fiel a seu mestre Hegel, se interroga sobre o enigma da
11 Fusaro, Bentornato Marx!, cit., p. 11. 12 Idem, p. 12. 13 Idem, p. 9. 14 Musto, Sulle tracce di un fantasma, cit., p. 3. 15 Ibidem. Vários autores estão convencidos de que, derrubado o socialismo real junto com o Muro de Berlim em 1989, desenvolveram-se as condições para uma nova leitura de Marx. É a posição de Hobsbawm( Come cambiare il mondo, cit.). Também J. Attali( K. Marx ovvero lo spirito del mondo, Roma, Fazi, 2006) considera que, morto o marxismo, é possível descobrir o pensamento de Marx que os marxismos do século XX deformaram. A ideia de que a organização de certos países derivava diretamente da teoria de O capital constituiu uma das causas da negação de Marx e um forte obstáculo ao desenvolvimento de seu pensamento, de modo que, para os contemporâneos, Marx é um autor ainda amplamente desconhecido( R. Fineschi, Ripartire da Marx. Processo storico ed economia politica nella teoria del Capitale, Nápoles, La Città del Sole, 2001).
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