Êpa Babá!!!
Mo juba awo Obatalá. Eu me humilho diante do mistério de Obatalá. Iwo ni Eledá Orisha. Você é o Criador do orixá. Iwo ni Orisha Julo Nase. Você é o orixá mais poderoso. Iwo ni Oluwa Awo Ori. Você é o dono do Mistério da Consciência. Iwo ni Oluwa Awo Ogbogba. Você é o dono do Mistério de equilíbrio e igualdade. Iwo ni Oluwa Awo Mimo. Você é o dono do Mistério da Pureza. Iwo ni Oluwa Awo Alafia. Você é o dono do Mistério da paz. Iwo ni Oluwa Awo Ti Abo ati Ako Ipilese. Você é o dono do mistério do Feminino e o Masculino.* w
Obatalá é filho direto de Olorun, o dono Orun criador da vida, foi designado por seu pai a criar os seres na Terra, inclusive os humanos, e num momento de embriaguez criou humanos com deficiências, por isso é entendido como o cuidador da espécie humana e não faz diferença a nenhum ser, seja por gênero, deficiência, idade, cor, escolhas, etc. Com sua benevolência nos dá oportunidades de descobrir a real função do corpo, onde nós descendentes das tradições afro brasileiras acreditamos que nosso corpo é nosso templo, principal instrumento de conexão com o Orixá e as energias naturais, e como tal, podemos usufruir das essências e energias para o nosso prazer, vivências e espiritualidade e estarmos equilibradas( os) e sadias( os) diante das necessidades deste templo.
Não nos regramos aos questionamentos e ensinamentos religiosos do Cristianismo, quanto à procriação, castas, negação do querer sexual ou emocional diante do corpo, pois na cosmovisão africana do culto às energias naturais o corpo é um instrumento livre para vivenciar as experiências terrenas e humanas, cabendo a nós a coerência em manter este templo cuidado, sadio e equilibrado para continuar a trajetória espiritual diante dos Orixás, inkinses, voduns, encantados etc.
Diante desta cosmovisão, trazemos algumas questões do corpo, de garantir nossos direitos e cuidados perante um estado que se diz laico constitucionalmente, porém que não agrega, nem respeita a todas as diferenças de gênero, sexualidade, cor, credo, idade, vivendo ainda uma cultura de raiz escravocrata e imperialista que persiste em delegar padrões socialmente aceitáveis de estética heteronormativa europeia e cristã, ignorando completamente nossas raízes ancestrais de matriz africanas, berço responsável pela criação populacional deste estado brasileiro e dotada claramente de uma beleza e cultura ricas em humanidade que garantem lucros aos cofres nacionais e privados por ser vista como exótica.
Portanto, colocamos nossos Oris( cabeças) no chão de terra, clamando por Obatalá nossos direitos e cuidados para que permaneçamos firmes e fortes, e nossas raízes floresçam em nossos corpos por um mundo igualitário e fraterno, que nossa dignidade não seja infligida e nossos corpos fraturados pelas intolerâncias dos territórios sociais públicos e privados, e todas e todos jovens tenham sua existência preservada pelo direito da livre escolha de ser e não pela ânsia de pertencer, e a sabedoria de nossas mais velhas( os) e ancestrais nos guiem para o amadurecimento coletivo.
28 por Thais Prado
* Oriki( reza) a Obatalá, forma escrita retirado da internet.