E ra domingo à tarde, calor de aprox-
imadamente 35 graus, poucas nuvens
no céu e uma roda de amigas embaixo
de uma sete copas, acompanhadas de
uma jarra de água e uma cúia de ter-
eré, jogando conversa fora. O papo es-
tava animado, eis que chega a mãe de
uma das amigas. Sentou-se na cadei-
ra de área ao lado e integrou-se à roda.
Eu, particularmente, conheço essa mulher
desde que tinha 4 anos de idade e nunca
passou pela minha cabeça como ela havia
conseguido aquela cicatriz no pescoço.
Resolvi perguntar sem esperar uma
chocante história, porém estava errada.
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Essa mulher se chama Marta Zafalon
Bueno, 47, dona de casa, e tinha ape-
nas 6 anos quando ganhou a cicatriz.
Não só essa, visível no pescoço, e sim
várias outras, espalhadas pelo corpo.
Ela e mais 11 pessoas da família moravam
em uma casa de madeira no sítio Pinguim,
área rural da cidade de Floresta (distante
25 km de Maringá). O ano era 1976. Às
dez da manhã, a mãe de Marta, Diva Sar-
tori Zafalon, preparava o almoço como de
costume. Chovia forte e quase não dava
para conversar dentro de casa, por causa
do barulho da água batendo no telhado.