Eu Tenho Histórias Edição Única | Page 222

E ra domingo à tarde, calor de aprox- imadamente 35 graus, poucas nuvens no céu e uma roda de amigas embaixo de uma sete copas, acompanhadas de uma jarra de água e uma cúia de ter- eré, jogando conversa fora. O papo es- tava animado, eis que chega a mãe de uma das amigas. Sentou-se na cadei- ra de área ao lado e integrou-se à roda. Eu, particularmente, conheço essa mulher desde que tinha 4 anos de idade e nunca passou pela minha cabeça como ela havia conseguido aquela cicatriz no pescoço. Resolvi perguntar sem esperar uma chocante história, porém estava errada. 222 Essa mulher se chama Marta Zafalon Bueno, 47, dona de casa, e tinha ape- nas 6 anos quando ganhou a cicatriz. Não só essa, visível no pescoço, e sim várias outras, espalhadas pelo corpo. Ela e mais 11 pessoas da família moravam em uma casa de madeira no sítio Pinguim, área rural da cidade de Floresta (distante 25 km de Maringá). O ano era 1976. Às dez da manhã, a mãe de Marta, Diva Sar- tori Zafalon, preparava o almoço como de costume. Chovia forte e quase não dava para conversar dentro de casa, por causa do barulho da água batendo no telhado.