o Paraná, em 1952, para
trabalhar na colheita do
café. Nas memórias rel-
acionadas a esse amor
antigo pelas moedas,
ela lembra das que con-
seguiu quando ia viajar
e no local onde compra-
va passagem via várias
moedas e cédulas an-
tigas no balcão da ro-
doviária de Paraíso do
Norte, cidade vizinha
a São Carlos do Ivaí.
Anos mais tarde, ain-
da trabalhando na roça,
conheceu e se apaixo-
nou pelo homem que
se tornaria seu marido.
Para isso acontecer, ela
fugiu com ele já que os
pais
não
a ce i t ava m
o relacio-
namento
dos
dois.
com 84 anos, Guido é
quem sofre as dores que
um dia causou a Zulmira.
Só que de outra manei-
ra. Ele não consegue re-
alizar nem as atividades
básicas sozinho, pois
está muito doente. Já
faz 57 anos que estão
juntos. E mesmo na
fases ruins, Zulmira nun-
ca abandonou o hob-
by. Ao contrário. Nesses
anos a coleção de moe-
das e notas só cresceu.
Zulmira e Guido ti-
veram 12 fi lhos. Ela foi
mãe ainda com 17 anos.
Hoje só oito estão vi-
vos. São todos casados
e já têm até netos. Que
Mesmo nas fases
ruins Zulmira nun-
ca abandonou o
hobby
A colecio-
nadora de
moedas ca-
sou-se com
Guido San-
chete, um
homem alto e magro e
de aparência bondosa.
Mas era só a aparência
mesmo, pois em pouco
tempo de casamento se
mostrou um marido cru-
el. Por causa da bebida
batia nela. Mesmo sof-
rendo, Zulmira tinha que
aguentar a situação sem
poder fazer nada. Hoje
adoram a coleção da vó.
Um dos passatempos
prediletos dela é con-
tar para a família sobre
como conseguiu cada
moeda e cada cédula.
Em um dos quartos da
casa, que é toda dec-
orada, existe uma cama
bem
aconchegante,
vários vasos de fl ores,
quadros e pinturas, ur-
sinhos de pelúcia entre
outros objetos. Bem ao
centro do quarto, um
grande tambor marrom,
chama a atenção. Nesse
tambor fi cam guarda-
dos as moedas, docu-
mentos, cadernos dos
fi lhos e outros momen-
tos importantes da vida
de Zulmira. Um tam-
bor difícil de mexer por
causa do peso, mesmo
assim ela não se impor-
ta em revirá-lo até en-
contrar o que procura.
Entre tantas moedas
e cédulas Zulmira não
consegue escolher a
preferida.
Em
cada encontro
ela foi se divertin-
do e relembran-
do momentos ao
contar sobre o
hobby. Pelo sor-
riso que se forma
até no canto dos
olhos, pelo riso,
meio tímido, mas
ao mesmo tem-
po tão simpático e com
a voz doce chega pare-
cer que não importa o
tempo que passe, Zul-
mira, a senhora de cabe-
los de cabelos brancos,
de 74 anos,vai sempre
destacar o amor pelas
moedas e cédulas que
fazem parte da vida dela.
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