Eu Tenho Histórias Edição Única | Page 206

— Olha a sardinha fresca, perna de moça, barbado, pintado. Vem ver dona Maria, traz a bacia... É assim que o vendedor de peixes Ge- remias Rodrigues da Silva, 58 anos, ten- ta atrair a clientela nas ruas de Cianorte (aproximadamente 80 km de Maringá). Dentro de uma caixa de isopor instalada na garupa de uma bicicleta velha estão os peixes, cuidadosamente colocados e organizados por espécie. — Aqui dentro tem dourado, sardi- nha, bacalhau, pintado, bagre e tílapia. Todos, peixes muito saborosos. A voz, um pouco rouca, mas convin- 206 cente, é o instrumento de trabalho de Geremias — o peixeiro, como é chama- do pela vizinhança. Por onde passa as pessoas o reconhecem e, como todo bom vendedor, tem clientela fixa. Ele para a bicicleta na calçada e começa o “show”. Sem cerimônia, abre a caixa para qual- quer um que queira apreciar a mercado- ria e oferece os peixes como se fossem o alimento mais precioso do mundo. Conhece a fundo cada espécie que vende. Como uma enciclopédia das águas doces e salgadas, descreve da ori- gem e trajetória até a captura do peixe. Ao abordar o cliente, logo começa a en- sinar: — Tenho esse dourado, o mais belo e