— Olha a sardinha fresca, perna de
moça, barbado, pintado. Vem ver dona
Maria, traz a bacia...
É assim que o vendedor de peixes Ge-
remias Rodrigues da Silva, 58 anos, ten-
ta atrair a clientela nas ruas de Cianorte
(aproximadamente 80 km de Maringá).
Dentro de uma caixa de isopor instalada
na garupa de uma bicicleta velha estão
os peixes, cuidadosamente colocados e
organizados por espécie.
— Aqui dentro tem dourado, sardi-
nha, bacalhau, pintado, bagre e tílapia.
Todos, peixes muito saborosos.
A voz, um pouco rouca, mas convin-
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cente, é o instrumento de trabalho de
Geremias — o peixeiro, como é chama-
do pela vizinhança. Por onde passa as
pessoas o reconhecem e, como todo bom
vendedor, tem clientela fixa. Ele para a
bicicleta na calçada e começa o “show”.
Sem cerimônia, abre a caixa para qual-
quer um que queira apreciar a mercado-
ria e oferece os peixes como se fossem o
alimento mais precioso do mundo.
Conhece a fundo cada espécie que
vende. Como uma enciclopédia das
águas doces e salgadas, descreve da ori-
gem e trajetória até a captura do peixe.
Ao abordar o cliente, logo começa a en-
sinar:
— Tenho esse dourado, o mais belo e