Eu Tenho Histórias Edição Única | Seite 195

a renda, não passa nem de perto da realidade de Tânia. Fazendeira, dona de propriedade herdeira dos pais, ela prepara e vende salgados e doces pelo simples fato de fazer as pessoas consumir algo que é fruto do trabalho sobre o qual dedica algumas horas do dia. Quem vê o jeito jovial e despojado de Tânia não consegue imaginar sua história de vida. Ao falar sobre o passado, substituiu a expressão de euforia por algumas lágrimas. As palavras saem com difi culdades, quase inaudíveis. A morte recente dos dois irmãos continua sendo um tema árduo que ela tenta esconder diariamente por trás dos sorrisos e brincadeiras. Ela se lembra da adolescência, do período que sentia rejeição da mãe. Por causa disso decidiu fugir com o namorado para o Pará, onde ele tinha uma fazenda e estava construindo uma casa. Lá eles fi caram 15 dias vivendo em um avião, no meio da mata, tomando banho em rio e se alimentando de animais que os funcionários da fazenda caçavam e assavam para comer. Com ele casou-se e teve três fi lhos. Ela está viúva há dez anos. As lembranças das loucuras vividas na infância e juventude devolve-lhe o sorriso no rosto. Os olhos voltam a brilhar e ela conta sobre o livro infantil que está escrevendo sobre as histórias de quando era criança. São tantas lembranças que foram impossíveis de ser ditas naquele momento. (Foto: Cary Bertazzoni) Quando criança, ela morou com os pais e dois irmãos em uma fazenda no Eu tenho: Histórias 195