O
som de telefone e do teclado do
computador predominavam. Uma
conversa aqui, outra li e logo
o silêncio tomou conta do ambiente.
O clima daquele dia ensolarado podia
ser sentido de dentro da sala. Já eram
16 horas e a fome andava junto com o
tempo. A porta se abriu, o silêncio logo
se quebrou e o sorriso de cada um fl uiu
com espontaneidade. Quem chegava
ali era Tânia Marquês, de 56 anos, a
Tânia dos salgados. Com duas bandejas
apoiadas no braço, riso no rosto e
expressão de mais um dia cumprido,
anunciava a todos naquele momento que
só tinha pavê. A procura pelos salgados
tinha sido grande, e não sobrou nenhum
para espalhar o cheirinho de fome pelo
escritório.
Apesar de simples, Tânia fez questão
de combinar o fl orido do vestido com
a estampa da bolsa, ambos em tons
avermelhados. As madeixas castanhas
com alguns fi os brancos presos a um
rabo, realçavam ainda mais o rosto e
o sorriso da jovem senhora. As piadas
escapavam com naturalidade, como
de costume. Todos estavam à espera
dela e quando receberam a notícia que
não tinha salgados a questionaram, em
tom de chacota. Tânia com seu jeito
magana, não deixou barato e retribuiu as
brincadeiras.
Quem vê o jeito jovial
de Tânia não imagina sua
história de vida
Esse cotidiano, igual ao de milhares de
mulheres que vão para a cozinha preparar
quitutes para vender e complementar
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O sorriso é uma das características marcantes de Tânia