Rosely tendo seu primeiro contato com um computador
Rosely Lima Brás da Silva, jamais conquistou um único leitor para as inúmeras poesias que escreveu ao longo da vida; ela própria, apesar de se entreter em versos e as rimas, nunca leu nada do gênero
Advaldo Filho
Mesmo com pouco estudo ela tem livre acesso ao sentimento do mundo. Entra quando quer e sai quando lhe convém. Transita entre todos, mas não pode ficar. Apenas passa, porque não foi feita para o definitivo. Suas poesias levam-na, mas não lhe permitem estabelecer morada. O que torna difícil conhecê--la. Ela fica sem estar, vai sem ir, ela vem sem vir e fala sem dizer. Apropria-se de o utras existências e delas faz a matéria da sua poesia.
O grão, verbo, as raízes e os seus pronomes. Mulher forte, de garra, determinação e maestria, hesitante e de um olhar aguçado penetrante e intuitivo. Essa é Rosely Lima Brás da Silva, 50 anos. Mora em casa própria, de alvenaria, na baixada de um morro em Alto Paraná, cidadezinha conhecida como celeiro dadivoso, do noroeste do Paraná. Ela divide a casa apenas com o marido, com quem está casada há 20 anos. É mãe de um casal de filhos já adultos e avó de três crianças, pelas quais tem grande apego. Rosely, nunca sequer leu nenhum livro que a influenciasse a produzir suas histórias, diz apenas que o único livro que leu até hoje, por versículos foi a Bíblia. Pouco consome do conteúdo de programação de TVs,
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