a casa que notara não era exatamente
para onde estávamos indo. Viramos à
direita, bem perto da casa de madeira, e
entramos em um quarto no fundo.
A parede branca e encardida estava
esperando por nós. Ao lado dela, no lado
de fora, um tanque sujo, uma máquina
de lavar aparentemente quebrada, uma
moto, uma caixa de madeira e uma mesa
de computador. Neste pequeno percurso,
mil coisas passaram pela minha cabeça,
procurando em algum desses fragmentos
o motivo de ela estar ali.
Entrei. O local estava completamente
abafado. A única janela provia uma luz
alaranjada pelo adesivo que cobria todo
o vidro. À minha esquerda havia um
sofá marrom, com tamanho para duas
pessoas, velho, com partes da espuma
para fora. Luna sentou-se no braço direito
do sofá e ofereceu que me sentasse. Sentei
no assento do lado esquerdo. Ficamos
distantes, de certa forma, mas eu estava
prestes a conhecer de perto quem era
Luna Mina.
Comecei nossa conversa questionando,
literalmente: "Quem é Luna?". A resposta
bem humorada me impressionou. “Por
onde começo? Eu sou preta, trans e
aquariana." Enquanto falava, ela olhava
para cima e para os lados, com certa
timidez sobre aquele diálogo, já que
certamente era a primeira vez que alguém
Bem humorada como sempre, Luna me recebe em sua casa
aaaaaaa
Foto: Lucas Martinez
Eu tenho: Histórias
155