EcoEstudantil N.º 38, set. '22 a fev '23 | Page 9

CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS
Semana da Ciência e da Tecnologia
Cidade romana de Balsa
Arqueólogos revelam segredos guardados há 2 mil anos
Por Maria Rita , 11 .º C2
Numa cooperação entre a Biblioteca ESJAC , o Centro Ciência Viva e a Universidade do Algarve , o Professor João Pedro Bernardes deu uma palestra para os alunos do Curso de Línguas e Humanidades ( 11 º C1 e 2 ) e os alunos de Cursos Profissionais ( 12 º TAE e TTUR ) , no dia 25 de novembro passado , no âmbito das atividades da Semana da Ciência e Tecnologia , cujas comemorações decorreram a nível nacional de 19 a 26 de novembro .
Com o título “ Radiografia de uma cidade com 2000 anos em Tavira ”, o Professor João Pedro Bernardes fez uma breve retrospetiva dos estudos que se têm feito sobre Balsa , qual era o verdadeiro tamanho da cidade , o que ainda se preserva dessa povoação e alguns dos achados que já se encontram dispersos por museus nacionais , mas que em 2023 farão parte de uma exposição a realizar na nossa cidade .
Uma das alunas da Professora Fátima Cardoso , após a assistência à palestra , realizou uma pequena investigação sobre a Cidade Romana de Balsa e enviou-nos o artigo seguinte .

A cidade romana de

Balsa localiza-se a sul da vila de Luz de Tavira , junto às margens da Ria da Formosa , e foi ocupada entre meados do século I a . C . até aos séculos V ou VI da nossa era , tendo chegado a ser capital do município .
O seu nome foi dado a conhecer pela primeira vez pela mão de autores da antiguidade clássica como Plínio-o-Velho ou Estrabão que a localizaram entre Ossonoba ( Faro ) e Baesuris ( Castro Marim ).
Mais tarde , já no século XVI , o humanista André de Resende relaciona , erradamente , Balsa como a atual cidade de Tavira , sendo que só no final do século IX a sua localização ficou definitivamente esclarecida , graças aos trabalhos de Estácio da Veiga , o pioneiro da arqueologia de Tavira . Este fez extensos trabalhos arqueológicos no local que resultaram na descoberta de vários edifícios e de milhares de materiais arqueológicos .
Desde essa data até 2017 , houve muito poucos trabalhos arqueológicos em Balsa , mas nem por isso se deixou de escrever acerca da cidade romana . Esses textos foram , sobretudo , baseados em fantasias e intuições , descurando as evidências científicas . Desta forma , foi-se criando na literatura a ideia de uma cidade enorme com mais de 45 hectares de extensão .
Entre 2018 e 2022 , os trabalhos desenvolvidos no âmbito do projeto “ Balsa , em busca das origens do Algarve ”, dinamizado pela Universidade do Algarve , pelo Município de Tavira e pelo Centro de Ciência Viva de Tavira , vieram trazer uma nova visão sobre a cidade . O uso de métodos de deteção remota , como as prospeções por georradar e geomagnetismo , associados a escavações arqueológicas , vieram mostrar que o perímetro urbano da cidade não é superior a 10 hectares , e que os vestígios que os anteriores investigadores atribuíram à cidade de Balsa correspondem a villas ( casas isoladas ) que se encontravam na periferia da cidade .
Desta forma , a aplicação de métodos científicos veio trazer novos dados que , apesar de reduzirem a área urbana da cidade , atestam a sua importância e grandeza .
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