Dragões #437 Abr 2023 | Page 55

ANDEBOL
Nunca olhei demasiado adiante , sempre trabalhei e tive claro que não é fácil jogar a alto nível .
Em 2015 saiu de Espanha e aventurou-se no estrangeiro . O que mudou e o que aprendeu ? Mudou quase tudo porque saí de Espanha , o meu país , para a Alemanha sem saber falar alemão . Tive a sorte de já ter o meu filho e estava com a minha namorada , eles tornaram a adaptação mais fácil . Ali aprendi o que era andebol do mais alto nível . Todos os jogos eram difíceis , não foi como em Espanha , em que o nível era um pouco mais baixo . Desde o primeiro dia , tudo funcionava a 100 % e aprendi a olhar para as coisas de outra forma .
Qual foi o maior choque ? Foi o físico . O andebol em Espanha não era tão exigente desse ponto de vista . Havia jogadores muito bons taticamente , mas a maior parte destacava-se pelo físico e então foi um grande
choque , porque foi passar de um andebol muito mais tático para outro puramente físico . Encontrei um equilíbrio e adaptei-me .
Em 2017 rompeu os ligamentos do joelho numa altura em que estava entre as opções do selecionador principal espanhol . Como lidou com a lesão e como foi a recuperação ? Foi uma sensação muito amarga , porque estava muito bem , a ter muitos minutos , adaptado a todo o sistema e foi um choque . Os desportistas de alto nível têm que viver com isso na cabeça , porque neste patamar estas lesões são comuns . Vivi uns meses complicados , mas depois voltei a trabalhar para voltar a 100 % e não ter mais problemas com isso .
Ainda sente que algo poderia ter sido diferente se a lesão não existisse ? Não . Aprendes coisas novas , amadureces mais , controlas melhor as emoções . Faz parte da vida .
“ NO MAGDEBURGO LUTÁVAMOS PARA ESTAR NOS LUGARES DE TOPO DA BUNDESLIGA E TÍNHAMOS UMA GRANDE EQUIPA . (…) O PRIMEIRO JOGO NA ALEMANHA FOI MUITO DIFÍCIL , MAS QUANDO CHEGÁMOS CÁ O PAVILHÃO ESTAVA CHEIO E O FC PORTO JOGOU UM ANDEBOL INCRÍVEL . ACHO QUE ESSE FOI UM DOS MOMENTOS QUE FEZ O ANDEBOL PORTUGUÊS ENTRAR NO RADAR DE TODA A EUROPA .”
Esteve presente , mas do lado adversário , no momento que muitos consideram ter sido de mudança de paradigma para o andebol do FC Porto , que foi a eliminatória de qualificação para a Taça EHF de 2018 / 19 . Como a viveu e o que sentiu no jogo disputado no Dragão Arena ? As sensações foram de um jogo muito difícil . Na altura , no Magdeburgo lutávamos para estar nos lugares de topo da Bundesliga e tínhamos uma grande equipa . Simultaneamente , Portugal não estava na ribalta como está agora , então entrámos com o espírito de “ vamos ver como isto corre ”. O primeiro jogo na Alemanha foi muito difícil , mas quando chegámos cá o pavilhão estava cheio e o FC Porto jogou um andebol incrível . Acho que esse foi um dos momentos que fez o andebol português entrar no radar de toda a Europa .
Considera que foram surpreendidos ? Fomos surpreendidos por tudo . Eles fizeram tudo bem , acertavam todos os remates e tinham uma defesa muito boa . Sentimos que não podíamos fazer nada . Quando olhámos para o relógio , faltavam 15 minutos de jogo , estávamos a perder por muitos golos e sabíamos que era muito difícil reverter isso .
Agora por dentro , o que a equipa tem de especial para se poder bater contra qualquer um ? Sinto que aqui é tudo como uma família . É um clube tão grande , com tantas modalidades , e todas elas lutam por todos os títulos . Tens a necessidade de
ganhar cada jogo , seja contra a pior ou a melhor equipa do mundo , a ambição não muda .
Chegou ao FC Porto com dois mundiais de clubes ,
uma Taça EHF e uma Taça
55 REVISTA DRAGÕES ABRIL 2023