Dragões #428 Jul 2022 | Page 66

TEMA DE CAPA
Temos de ter um jogo atrativo , com soluções ofensivas rápidas e agressivo em termos defensivos , que dê prazer aos nossos adeptos que nos vão apoiar ao pavilhão .

que os adeptos podem esperar da equipa de basquetebol ? Como treinador , não vou querer nunca ter o sentimento de que não fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para ganhar . Quando isso acontecer , assumirei as minhas responsabilidades . Uns jogos correm bem , outros correm mal e as derrotas vão acontecer , mas não podem acontecer sem representarmos o clube da forma que ele merece , a dar tudo e a lutar até ao fim . Tenho uma paixão muito grande pelo clube e pela modalidade , que tentarei passar a todo o grupo . As coisas têm de se sentir dessa forma para termos sucesso .
Acredita que o facto de ser um ex-jogador e capitão dá maior conforto ao adepto do FC Porto neste início de uma nova era ? Sinto-me muito bem-recebido por toda a gente , a 101 %. Não recebi nenhuma mensagem de ninguém que revelasse algum tipo de insatisfação , o que é sempre positivo . Sinto que as pessoas estão contentes por ser eu o treinador da equipa de basquetebol , mas não quero que confundam o meu
portismo com a minha capacidade enquanto profissional . Como é óbvio , se tenho a paixão que tenho pela modalidade e se estou no meu clube de sempre , creio que estão reunidas as condições para podermos ter sucesso .
Disse quando foi apresentado que esperava ter mais gente no basquetebol . É um objetivo pessoal ? Diria até que é o meu grande objetivo pessoal . Em termos pessoais , é isso mesmo . Quero sentir que as pessoas vêm com vontade e prazer ao pavilhão , que não vêm só nos jogos grandes ou nos jogos que decidem títulos . Por tudo aquilo que vivi aqui , sei que as pessoas vinham ao basquetebol com prazer , independentemente das vitórias ou das derrotas . A expetativa de podermos ganhar estava sempre presente e os adeptos identificavamse muito com a equipa . Se tivermos uma equipa com a qual os adeptos se identifiquem , estamos mais perto de ter mais gente nas bancadas .
Ganhar tudo a nível interno é um objetivo claro e natural ? É claramente o nosso maior objetivo
coletivo , conquistar todos os troféus nacionais . Como treinador , tenho a responsabilidade de que , no final de cada trajeto , os jogadores saiam valorizados , que nós - treinadores - sejamos melhores e que o nosso Museu tenha taças nossas . Só assim a fotografia fica completa .
O facto de o FC Porto não conseguir conquistar o título de campeão nacional desde 2016 aumenta a pressão , a motivação ou ambas ? Aumenta a pressão , naturalmente , mas não vejo isso como algo negativo , pois gosto de trabalhar sob essa pressão . Por outro lado , também aumenta a motivação , pois ninguém mais do que nós quer fazer do FC Porto campeão . Para mim , como portista , será muito especial fazer história aqui . E fazer história aqui é conquistar títulos e colocar troféus no Museu .
Existem diferenças entre o Fernando Sá que treinou pela última vez em 2019 e o que é agora treinador do FC Porto ? Existem muitas diferenças , sobretudo porque os meus dois últimos anos em Guimarães foram
muito desgastantes . No passado não percebia porque se dizia que por vezes os treinadores deviam parar , mas agora entendo . Fez-me muitíssimo bem e talvez devesse ter tomado esta decisão mais cedo , pois sinto-me como se tivesse começado agora a treinar .
Quão importantes foram aqueles 13 anos como treinador do Vitória de Guimarães ? O Vitória de Guimarães é um clube ao qual estarei sempre grato , pois apostou em mim . Teve um crescimento gigante na modalidade ao longo dos anos e foi fundamental na minha formação como treinador . Deixámos a nossa marca na história do clube e isso é muito gratificante .
O facto de ter sido jogador de Jorge Araújo ou Alberto Babo foi essencial para aquilo que o Fernando Sá é hoje enquanto treinador ? Essas são duas referências para mim , não só para a minha vida desportiva , mas também para a minha vida pessoal . Foram pessoas muito importantes na minha carreira de jogador e na minha decisão de me tornar treinador logo aos 29 anos , quando saí do FC Porto . Sempre fui um jogador que quis ser treinador .
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