Dragões #411 Fev 2021 | Page 53

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“ O facto de ele [ Martim ] estar lá deixa-me mais à vontade e , de certa forma , desafia-me a ser melhor do que ele .”
Francisco Costa
Francisco e Martim com a mãe , no jogo de despedida de Ricardo Costa em
2012
uma das melhores médias de golos no principal escalão ( 6,33 ). Ao serviço dos “ bês ” azuis e brancos , o canhoto é mesmo o melhor marcador da segunda divisão , com 67 remates certeiros em apenas oito jornadas . Numa conversa à distância com a DRAGÕES , os Costa falam abertamente sobre o ambiente familiar que deu origem a mais duas carreiras promissoras . Ricardo , o pai , faz questão de deixar claro que “ ainda falta ” algo para que os filhos se afirmem enquanto jogadores de andebol . “ Sempre fomos felizes nos pavilhões e passamos horas seguidas a ver jogos ”, revela o atual treinador do Avanca , que considera não ser nada fácil “ os jovens imporemse na equipa do FC Porto ”. Desafiado a falar sobre Martim e Francisco , o antigo jogador e técnico portista descreve o mais velho como “ um atleta que joga de uma forma agressiva ”, com “ talento e capacidade de
trabalho ”, mas que “ tem de lutar por conquistar o seu espaço ”. Por sua vez , o caçula é caraterizado como um menino com uma “ forma desinibida de estar ” e como sendo “ muito evoluído taticamente ”. “ É muito parecido comigo ”, “ tanto na parte da fisionomia como do feitio ”, acrescenta Ricardo Costa . Martim , o mais tímido dos dois , partilha a opinião do progenitor quanto à necessidade de afirmação no panorama andebolístico e explica como é o convívio com o irmão mais novo : “ Claro que temos as nossas desavenças de vez em quando , mas apoiamo-nos bastante e posso dizer que tenho uma relação muito boa com ele ”. “ Foi o realizar de um sonho poder vestir esta camisola ”, confidencia o jovem acabado de atingir a maioridade e que tenta imitar craques como Karabatic ou Mikkel Hansen quando entra em campo . O primeiro também partilha o balneário com o irmão no PSG , tubarão andebolístico que recentemente foi adversário dos
Dragões na Liga dos Campeões . Aí , Martim rejubila por estar frente a frente “ com os melhores jogadores do mundo ” e por atuar “ em pavilhões históricos ”, algo que o deixa pleno de “ felicidade e euforia ”. Dentro de portas , o reencontro com o pai “ foi um dos jogos mais competitivos ” da época portista e o número 79 assume que “ talvez possa ter tido alguma falta de concentração ” no embate diante do Avanca que terminou com uma vitória suada por 30-29 . Logo no início da primeira entrevista à DRAGÕES , Francisco Costa abriu o livro para contar como nasceu o bichinho pelo andebol : “ Quando ia ver os jogos do meu pai , no final ia sempre fazer remates com os colegas de equipa dele ”. “ Com a infância que tive era muito difícil não ser jogador de andebol ”, sintetiza um jovem de 15 anos que se define como “ muito despachado ”. O mais extrovertido dos Costa considerase “ persistente ”, “ determinado ” e “ assertivo ” como o modelo a quem
seguiu as pisadas . Apesar de atuar mais vezes na ponta direita , tal como o pai fazia , o adolescente não tem papas na língua na hora de assumir as suas preferências : “ Gostava de fazer a minha carreira a lateral ”. “ Sou uma pessoa muito competitiva e lutadora , gosto sempre de sair por cima ”, assume Kiko , antes de confessar que a presença do irmão o tem “ auxiliado bastante ” e trazido uma motivação extra : “ O facto de ele estar lá deixame mais à vontade e , de certa forma , desafia-me a ser melhor do que ele ”. O esquerdino esclarece que sempre teve “ interesse pela tática ” e acha que isso “ foi algo que nasceu ” com ele , mas não coloca “ o trabalho e o esforço de lado ” porque , apesar da tenra idade , rege-se pelos princípios certos : “ Nunca acho que as coisas são fáceis ”. Sempre atento à carreira dos seus meninos , Ricardo Costa recusa-se a embandeirar em arco , porém augura um futuro risonho para os descendentes : “ Têm todas as possibilidades de ser jogadores acima da média e de jogar em qualquer equipa ”. Cá estaremos para o comprovar .
“ Claro que temos as nossas desavenças de vez em quando , mas apoiamo-nos bastante e posso dizer que tenho uma relação muito boa com ele ”.
Martim Costa
REVISTA DRAGÕES FEVEREIRO 2021