Dragões #408 Nov 2020 | Page 41

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Foi uma Volta a Portugal atípica , num ano atípico , que terminou de forma típica . Foi também uma edição especial , sobretudo por culpa de uma equipa que insiste em demonstrar , ano após ano , a razão pela qual se mantém no topo do ciclismo nacional . Arrancou com três candidatos e terminou com um vencedor , que cumpriu o sonho de erguer o troféu no final . Já passou mais de um mês desde que venceu , mas Amaro Antunes recorda à DRAGÕES todos os momentos como se os estivesse ainda a viver , especialmente porque o trabalho de uma vida foi recompensado . Das primeiras pedaladas ao que falta conquistar , o algarvio conta tudo o que passou até cortar a meta em Lisboa , precisamente no momento mais alto de uma carreira que o pai não queria para o filho .

Acordou a Sul , motivado

para mais um dia que se adivinhava caótico . Desde já , porque tinha uma longa viagem até ao Norte , região com a qual sempre manteve uma ligação muito forte . Foram mais de 550 quilómetros até ao Porto debaixo de chuva intensa e de visibilidade fraca , condições atmosféricas que está habituado a enfrentar . A Casa do FC Porto de Penafiel recebeu Amaro Antunes , juntamente com João Rodrigues , os últimos dois vencedores da Volta a Portugal . As camisolas amarelas dos dois corredores estiveram presentes , só que não eram apenas os patrocínios estampados que separam os dois triunfos . Enquanto a vitória de João foi , talvez , na edição mais emocionante da história da Volta , Amaro triunfou na mais especial . Não pelos motivos que se desejava , mas pela maneira como o “ ciclismo venceu o vírus ”, como disse o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa quando recebeu o algarvio . As condicionantes deste ano ficarão marcadas no ciclismo nacional e o nome associado a esta Volta a Portugal será sempre o de Amaro Antunes . Por isso , foi com a alegria que tanto o caracteriza e com um sorriso no rosto que o corredor se disponibilizou a percorrer todo o trajeto que o levou até à tarde de 5 de outubro , em Lisboa , onde realizou o principal objetivo da carreira .
A AMBIÇÃO DE CRIANÇA Para se ser ciclista , é preciso ter paixão pela modalidade e Amaro Antunes não precisou de procurar muito para a encontrar . “ A culpa é da minha família . O meu avô foi ciclista , chegou a correr no Sporting , o meu tio e o meu pai também correram . A minha família sempre foi muito ligada a esta modalidade ”. O algarvio já sabia o que queria e até já ensaiava as vitórias , mesmo sem ter uma bicicleta . “ Lembro-me de me equipar a rigor e subir às cadeiras , a fazer de conta que estava no pódio . Vivia aquilo intensamente ”, contou . Inicialmente , os maiores desafios
REVISTA DRAGÕES NOVEMBRO 2020