Dragões #406 Set 2020 | Page 60

60 “Acredito que o campeonato que vencemos em 2019 acaba por ser um dos maiores feitos da minha carreira, porque não éramos considerados o principal candidato e conseguimos ganhar num ano muito difícil.” ASSADOS E O BACALHAU Foi com enorme alegria e uma pitada de saudade que Reinaldo García falou de assados argentinos. “Adoro”, dizia enquanto salivava. “Também adoro um outro prato, a Milanesa, que consiste num bife panado simples, mas como se faz uma pizza, com molho de tomate. E sou eu que faço”, contou entre risadas. No que toca à gastronomia portuguesa, Nalo só tem elogios. “Gosto de todos os pratos. Não comia quase peixe nenhum na Argentina, mas adoro todo o tipo de pratos de peixe, principalmente o bacalhau assado. E a feijoada, a francesinha… Gosto de tudo”. MENTAL ACIMA DE TUDO É nas experiências de outras personalidades do mundo do desporto que Reinaldo tem mergulhado, palavra a palavra. Depois da biografia de Phil Jackson, antigo treinador dos Chicago Bulls e dos LA Lakers, o capitão lê agora o livro de Nádia Tavares, intitulado “Mind7 Atleta”, que destaca as qualidades necessárias para se ter sucesso em qualquer contexto. “Acho importante ou até mais importante trabalhar a mente no desporto do que o físico, principalmente na minha idade”, confessou. será uma grande ajuda para a nossa equipa. Já o Ezequiel é um jogador rápido e procura sempre o golo. Tem também uma característica muito importante: a humildade. Vai captar todos os ensinamentos e vai crescer muito no FC Porto, não tenho qualquer dúvida”. As duas caras novas do plantel juntam-se ao núcleo da equipa da época passada, o que garante uma adaptação mais rápida. “O facto de mantermos o mesmo grupo permite-nos continuar o caminho que estávamos a fazer na última época. Os reforços já se estão a adaptar muito bem ao nosso sistema e os treinos têm corrido muito bem”. A ambição está em alta. A EXPERIÊNCIA DE SER ÍDOLO Esta é a parte da entrevista em que Reinaldo riu várias vezes. Desde já porque recordou a pessoa que era quando chegou à cidade do Porto em 2001, um “miúdo do hóquei” que chegava aos azuis e brancos com “muitas ganas de mostrar qualidade”. “Tem sido uma caminhada muito bonita”, repartida em duas fases totalmente distintas, observou. “A primeira não foi mais fácil, mas aconteceu numa altura em que o FC Porto estava acima de todos os rivais. Não havia nenhum adversário que tivesse um nível próximo do nosso. Conquistei seis dos dez campeonatos consecutivos, uma era muito bonita da nossa história. Com o meu regresso em 2015, a situação já era bem diferente”, reforçou, antes de nos surpreender com a escolha do momento mais importante da carreira na Invicta: “O hóquei era e é muito diferente e este campeonato tornou-se muito mais competitivo. Não é por acaso que lhe chamam o melhor campeonato do mundo. Aliás, acredito que o campeonato que vencemos em 2019 acaba por ser um dos maiores feitos da minha carreira, porque não éramos considerados o principal candidato e conseguimos ganhar num ano muito difícil. Dou muito valor a esse título, talvez mais do que qualquer pessoa”. Foi em Fânzeres que o “miúdo” virou homem e agora, no Dragão Arena, só pensa em ajudar os mais novos a crescer, tal como os antigos craques portistas o ajudaram na altura: “Tive a oportunidade de jogar com alguns dos meus ídolos e aprendi muito com eles. É isso que tento fazer agora, ajudar os mais novos”. Reinaldo García é um ídolo do hóquei mundial, mas isso não é o mais importante para o hoquista: “Claro que fico orgulhoso quando me dizem essas coisas, mas o que quero mesmo é transmitir a minha experiência para facilitar as carreiras dos mais novos, tanto dentro como fora do rinque. Tento ser sempre um bom exemplo para todos”. É nesta função que Reinaldo se sente um jogador realizado, mas nunca completo. “Já conquistei muitos troféus, de todos os tipos, mas quero sempre mais”, sublinhou. Com 37 anos, já viu e viveu tudo o que o mundo do hóquei tem para oferecer, só que a fome de vencer não desaparece. E ainda bem, porque Nalo tem apenas dois sonhos para concretizar e todos eles são de azul e branco: vencer a Liga Europeia e pendurar os patins no “melhor clube do mundo”. “Estive em grandes clubes ao longo da minha carreira e terminála num grandíssimo como o FC Porto seria um sonho ou a cereja no topo do bolo, como se costuma dizer. Um clube que me diz muito e que representa imenso na minha vida, sinto que terminar a carreira aqui seria o que mais me conforta. Mas, atenção, só daqui a cinco anos, no mínimo”. Que assim seja. REVISTA DRAGÕES SETEMBRO 2020