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nossa melhor forma. Já tínhamos
o foco na fase final e parar a
competição naquela altura foi um
corte radical”, contou o capitão,
sempre com o foco no futuro da
equipa, que já regressou aos treinos
no Dragão Arena: “Esta situação
trouxe uma maior motivação para
voltar na máxima força para a prétemporada.
Essa vontade de sentir
a pista, a bola, os patins… foi muito
tempo sem sentir essas coisas,
fazem parte da minha vida”.
Uma vida que acabou por sofrer
algumas mudanças nos meses em
que foi forçado a estar em casa.
Desde já na competitividade, porque
a vida de Reinaldo García sempre
teve competição desde tenra idade.
O internacional argentino já venceu
tudo que podia conquistar e nesta
paragem teve tempo para pensar
em vários temas, tanto dentro como
fora das pistas. Algo se destacou:
“O facto de muitas pessoas terem
ficado desempregadas devido à
pandemia permitiu-me ter um
novo olhar sobre o que temos no
momento e o que podemos perder
num instante. Passei a valorizar
ainda mais o que faço no FC Porto
e todas as pessoas que trabalham
neste clube”. Além disso, Nalo,
como também é conhecido, teve
a oportunidade de passar mais
tempo com a família, um dos
poucos fatores positivos desta fase.
“Temos bastante tempo ocupado,
os treinos e os jogos acabam por
tomar conta da semana toda. Por
vezes só tinha a tarde de domingo
para passar tempo com eles, o que
acaba por ser pouco tempo. Tivemos
a oportunidade de fazer coisas que
não costumamos fazer e deu para
conviver e aprender”, admitiu.
FUTURO AMBICIOSO
A carreira de Reinaldo García é
repleta de títulos, tanto no FC Porto
como em Espanha, ao serviço do
Liceo e do Barcelona, bem como na
seleção argentina. São 39 no total,
19 dos quais conquistados de azul
e branco. Mesmo assim, Nalo não se
contenta, porque a ambição não lhe
permite. O que importa é o que está
por conquistar e o capitão portista
não esconde que há uma espinha
que se mantém “atravessada na
garganta” desde que regressou ao
FC Porto, em 2015.
A Liga Europeia continua a ser
um dos objetivos e um sonho
para Reinaldo, que já conquistou
três, mas nenhuma de azul e
branco. “Já estivemos em várias
finais e sabemos que são muitas
as condicionantes para as vencer.
Se falarmos do Barcelona, que é a
equipa que mais vezes venceu a
competição, pode dizer-se que é
fácil ganhá-la, mas não é”. Para o
defesa/médio, a “consistência” é o
fator essencial para se alcançar a
final, mas, uma vez aí, tudo muda.
“O facto de muitas pessoas terem ficado desempregadas
devido à pandemia permitiu-me ter um novo olhar sobre
o que temos no momento e o que podemos perder num
instante. Passei a valorizar ainda mais o que faço no
FC Porto e todas as pessoas que trabalham neste clube.”
“Uma final requer uma exigência
física e mental muito elevada. Não
podes cometer qualquer erro,
porque uma falha pode fazer a
diferença”. Depois de tantas finais
conquistadas, o avançado sente
que, este ano, o desfecho pode ser
diferente: “Com a experiência que
temos tido, sinto que a equipa já
tem essa mentalidade intrínseca e
acredito que temos condições para
a vencer. O clube e todos os adeptos
merecem”.
Para isso acontecer, Guillem
Cabestany tem às suas ordens dois
reforços capazes de ajudar a equipa
desde o primeiro minuto, opinião
partilhada pelo capitão. “Já tive a
possibilidade de jogar com os dois.
Partilhei o balneário com o Xavi
Barroso no Barcelona e joguei na
seleção com o Ezequiel Mena. São
dois reforços que tornam a nossa
equipa ainda mais competitiva e vão
ajudar-nos a cumprir os objetivos”,
reforça, antes de descrever cada
um deles em poucas palavras: “O
Barroso é um jogador mais defensivo,
com boa distância, e um bom
organizador de jogo. Sem dúvida que
TODOS A BORDO
A volta ao mundo não seria em 80 dias,
mas num cruzeiro. É este o sonho de
Reinaldo García fora do rinque, conhecer
culturas e países diferentes, pelo menos
se “tivesse muito dinheiro e tempo”
para o fazer. “É enriquecedor saber
como as outras pessoas vivem e com
o que vivem”, admitiu, reconhecendo,
mais adiante, que a cidade do Porto
ainda o surpreende: “Ainda fico
impressionado quando passo na Ponte
Luís I e vejo a cidade. É lindíssima”.
REVISTA DRAGÕES SETEMBRO 2020