Dragões #406 Set 2020 | Seite 59

59 nossa melhor forma. Já tínhamos o foco na fase final e parar a competição naquela altura foi um corte radical”, contou o capitão, sempre com o foco no futuro da equipa, que já regressou aos treinos no Dragão Arena: “Esta situação trouxe uma maior motivação para voltar na máxima força para a prétemporada. Essa vontade de sentir a pista, a bola, os patins… foi muito tempo sem sentir essas coisas, fazem parte da minha vida”. Uma vida que acabou por sofrer algumas mudanças nos meses em que foi forçado a estar em casa. Desde já na competitividade, porque a vida de Reinaldo García sempre teve competição desde tenra idade. O internacional argentino já venceu tudo que podia conquistar e nesta paragem teve tempo para pensar em vários temas, tanto dentro como fora das pistas. Algo se destacou: “O facto de muitas pessoas terem ficado desempregadas devido à pandemia permitiu-me ter um novo olhar sobre o que temos no momento e o que podemos perder num instante. Passei a valorizar ainda mais o que faço no FC Porto e todas as pessoas que trabalham neste clube”. Além disso, Nalo, como também é conhecido, teve a oportunidade de passar mais tempo com a família, um dos poucos fatores positivos desta fase. “Temos bastante tempo ocupado, os treinos e os jogos acabam por tomar conta da semana toda. Por vezes só tinha a tarde de domingo para passar tempo com eles, o que acaba por ser pouco tempo. Tivemos a oportunidade de fazer coisas que não costumamos fazer e deu para conviver e aprender”, admitiu. FUTURO AMBICIOSO A carreira de Reinaldo García é repleta de títulos, tanto no FC Porto como em Espanha, ao serviço do Liceo e do Barcelona, bem como na seleção argentina. São 39 no total, 19 dos quais conquistados de azul e branco. Mesmo assim, Nalo não se contenta, porque a ambição não lhe permite. O que importa é o que está por conquistar e o capitão portista não esconde que há uma espinha que se mantém “atravessada na garganta” desde que regressou ao FC Porto, em 2015. A Liga Europeia continua a ser um dos objetivos e um sonho para Reinaldo, que já conquistou três, mas nenhuma de azul e branco. “Já estivemos em várias finais e sabemos que são muitas as condicionantes para as vencer. Se falarmos do Barcelona, que é a equipa que mais vezes venceu a competição, pode dizer-se que é fácil ganhá-la, mas não é”. Para o defesa/médio, a “consistência” é o fator essencial para se alcançar a final, mas, uma vez aí, tudo muda. “O facto de muitas pessoas terem ficado desempregadas devido à pandemia permitiu-me ter um novo olhar sobre o que temos no momento e o que podemos perder num instante. Passei a valorizar ainda mais o que faço no FC Porto e todas as pessoas que trabalham neste clube.” “Uma final requer uma exigência física e mental muito elevada. Não podes cometer qualquer erro, porque uma falha pode fazer a diferença”. Depois de tantas finais conquistadas, o avançado sente que, este ano, o desfecho pode ser diferente: “Com a experiência que temos tido, sinto que a equipa já tem essa mentalidade intrínseca e acredito que temos condições para a vencer. O clube e todos os adeptos merecem”. Para isso acontecer, Guillem Cabestany tem às suas ordens dois reforços capazes de ajudar a equipa desde o primeiro minuto, opinião partilhada pelo capitão. “Já tive a possibilidade de jogar com os dois. Partilhei o balneário com o Xavi Barroso no Barcelona e joguei na seleção com o Ezequiel Mena. São dois reforços que tornam a nossa equipa ainda mais competitiva e vão ajudar-nos a cumprir os objetivos”, reforça, antes de descrever cada um deles em poucas palavras: “O Barroso é um jogador mais defensivo, com boa distância, e um bom organizador de jogo. Sem dúvida que TODOS A BORDO A volta ao mundo não seria em 80 dias, mas num cruzeiro. É este o sonho de Reinaldo García fora do rinque, conhecer culturas e países diferentes, pelo menos se “tivesse muito dinheiro e tempo” para o fazer. “É enriquecedor saber como as outras pessoas vivem e com o que vivem”, admitiu, reconhecendo, mais adiante, que a cidade do Porto ainda o surpreende: “Ainda fico impressionado quando passo na Ponte Luís I e vejo a cidade. É lindíssima”. REVISTA DRAGÕES SETEMBRO 2020