Dragões #406 Set 2020 | Seite 57

57 “O ponto de viragem na mentalidade aconteceu na eliminatória contra o Magdeburgo, na época 2018/19. A partir daí percebemos que não éramos bons, mas muito bons, dos melhores do mundo.” Tem vindo a melhorar de época para época. Na última, foi distinguido mais do que uma vez na Liga dos Campeões pela Federação Europeia de Andebol e foi também o melhor marcador portista em todas as provas, com 164 golos. Está na melhor fase da carreira? Realmente tenho feito um percurso em crescendo. Quando perguntávamos ao Carlos Resende se era para fazer igual num exercício, ele respondia que não e que era para fazer melhor. A minha carreira tem sido assim, ou seja, nunca ficar satisfeito com o que já consegui e tentar sempre melhorar. Não dou muita atenção aos números do desempenho individual e foco-me muito mais nos objetivos coletivos. Preocupome mais em saber como posso ajudar a equipa a ganhar e os golos vêm como consequência. Nós temos um estilo de jogo aberto e fluido, em que eu e o António Areia rematamos bastante, mas para isso beneficiamos do trabalho que é feito pelo Fábio Magalhães, Rui Silva e Miguel Martins. Se marcamos muito é porque eles também nos passam muitas vezes a bola. No FC Porto voltou a vencer todos os títulos nacionais e em fevereiro renovou com o clube até 2022. Quais são as suas ambições neste momento? As ambições são sempre as mesmas, isto é, ganhar todos os jogos e em resultado disso todas as competições. Quero continuar a ganhar títulos nacionais e quero ajudar a afirmar o FC Porto como um grande da Europa, que marca presença todos os anos na Liga dos Campeões e faz brilharetes lá fora. Tornarmo-nos um tubarão europeu é um dos grandes objetivos para os próximos anos. Também se destacou ao serviço da seleção portuguesa no último Campeonato da Europa, em que Portugal alcançou o sexto lugar, o melhor de sempre na competição. Entre os jogadores convocados havia nove do FC Porto. Isto é fruto de um projeto instalado no Dragão Arena? Claramente. É o resultado de um projeto muito bom, uma grande caminhada de jogadores muito bons que só ganham em estar juntos. A seleção ganha com esse entrosamento que temos no clube. Que metas traçou para si enquanto jogador da seleção portuguesa? Representar a seleção é sempre uma grande honra e responsabilidade. É o nosso país, sou muito patriota e jogar por Portugal é uma emoção muito grande. É aquela ideia de representarmos as nossas famílias e os nossos antepassados. No último Europeu, melhorámos o resultado de uma geração muito boa como a do Carlos Resende e do Ricardo Costa, portanto figuramos nesta altura como os melhores de sempre do andebol português. Mas nós queremos melhorar tanto os nossos desempenhos como os que já foram conseguidos. Já estamos a apontar para medalhas no Mundial do próximo ano e vamos concentrar-nos nisso depois de fazermos uma excelente primeira fase da época no FC Porto. Onde está o Diogo Branquinho quando não se encontra a jogar andebol? Está em casa, essencialmente. Sou um pouco caseiro, evito sair para grandes confusões. Essas só gosto de ter dentro do campo, gosto de jogar perante 10 mil pessoas. Não gosto de ir para grandes ajuntamentos e já não apreciava fazê-lo antes da pandemia. Gosto de sítios muito mais tranquilos. Tenho vários prazeres na vida, um deles é fazer planos com a minha irmã, que é ao mesmo tempo uma amiga. Também tenho uma relação muito próxima com o meu pai e com a minha mãe. Sempre gostei muito de praia, até porque sempre vivi perto da costa, fosse na Figueira da Foz ou em Aveiro. Já vivi em Braga e agora felizmente vivo no Porto. Só o facto de saber que o mar está próximo, mesmo que não vá lá durante um mês, já faz diferença. Gosto de tudo o que está ligado à praia. Nas férias, por exemplo, faço surf, que é o meu desporto favorito a seguir ao andebol. De qualquer forma, o andebol para mim é trabalho. Conseguiu fazer alguma coisa durante o confinamento que tenha adiado por falta de tempo? Antes de mais, regressei a casa e passei uma espécie de férias com a família, já não estava em convívio permanente com eles há muito. Senti-me a recuar no tempo. Foi engraçado juntarmo-nos outra vez para cozinhar, falar, ver filmes, novelas. A nível profissional, deu para fazer três cadeiras que vão servir como equivalências. Estou em Engenharia Têxtil, mas vou mudar para Engenharia e Gestão industrial, que é o meu curso de sonho. A minha mãe é professora de Educação Física e o meu pai é engenheiro mecânico, portanto segui os dois exemplos. Deu ainda para ler. REVISTA DRAGÕES SETEMBRO 2020