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“O ponto de viragem na mentalidade
aconteceu na eliminatória contra
o Magdeburgo, na época 2018/19.
A partir daí percebemos que
não éramos bons, mas muito
bons, dos melhores do mundo.”
Tem vindo a melhorar de
época para época. Na última,
foi distinguido mais do que
uma vez na Liga dos Campeões
pela Federação Europeia de
Andebol e foi também o melhor
marcador portista em todas
as provas, com 164 golos. Está
na melhor fase da carreira?
Realmente tenho feito um
percurso em crescendo. Quando
perguntávamos ao Carlos Resende
se era para fazer igual num
exercício, ele respondia que não
e que era para fazer melhor. A
minha carreira tem sido assim, ou
seja, nunca ficar satisfeito com o
que já consegui e tentar sempre
melhorar. Não dou muita atenção
aos números do desempenho
individual e foco-me muito mais
nos objetivos coletivos. Preocupome
mais em saber como posso
ajudar a equipa a ganhar e os
golos vêm como consequência.
Nós temos um estilo de jogo
aberto e fluido, em que eu e o
António Areia rematamos bastante,
mas para isso beneficiamos do
trabalho que é feito pelo Fábio
Magalhães, Rui Silva e Miguel
Martins. Se marcamos muito
é porque eles também nos
passam muitas vezes a bola.
No FC Porto voltou a vencer
todos os títulos nacionais e em
fevereiro renovou com o clube
até 2022. Quais são as suas
ambições neste momento?
As ambições são sempre as
mesmas, isto é, ganhar todos os
jogos e em resultado disso todas
as competições. Quero continuar
a ganhar títulos nacionais e quero
ajudar a afirmar o FC Porto como
um grande da Europa, que marca
presença todos os anos na Liga
dos Campeões e faz brilharetes lá
fora. Tornarmo-nos um tubarão
europeu é um dos grandes
objetivos para os próximos anos.
Também se destacou ao serviço
da seleção portuguesa no último
Campeonato da Europa, em
que Portugal alcançou o sexto
lugar, o melhor de sempre na
competição. Entre os jogadores
convocados havia nove do FC
Porto. Isto é fruto de um projeto
instalado no Dragão Arena?
Claramente. É o resultado de um
projeto muito bom, uma grande
caminhada de jogadores muito
bons que só ganham em estar
juntos. A seleção ganha com esse
entrosamento que temos no clube.
Que metas traçou para
si enquanto jogador da
seleção portuguesa?
Representar a seleção é
sempre uma grande honra e
responsabilidade. É o nosso
país, sou muito patriota e jogar
por Portugal é uma emoção
muito grande. É aquela ideia de
representarmos as nossas famílias
e os nossos antepassados. No
último Europeu, melhorámos o
resultado de uma geração muito
boa como a do Carlos Resende e do
Ricardo Costa, portanto figuramos
nesta altura como os melhores
de sempre do andebol português.
Mas nós queremos melhorar tanto
os nossos desempenhos como
os que já foram conseguidos. Já
estamos a apontar para medalhas
no Mundial do próximo ano e
vamos concentrar-nos nisso
depois de fazermos uma excelente
primeira fase da época no FC Porto.
Onde está o Diogo Branquinho
quando não se encontra
a jogar andebol?
Está em casa, essencialmente. Sou
um pouco caseiro, evito sair para
grandes confusões. Essas só gosto
de ter dentro do campo, gosto
de jogar perante 10 mil pessoas.
Não gosto de ir para grandes
ajuntamentos e já não apreciava
fazê-lo antes da pandemia. Gosto
de sítios muito mais tranquilos.
Tenho vários prazeres na vida, um
deles é fazer planos com a minha
irmã, que é ao mesmo tempo
uma amiga. Também tenho uma
relação muito próxima com o meu
pai e com a minha mãe. Sempre
gostei muito de praia, até porque
sempre vivi perto da costa, fosse
na Figueira da Foz ou em Aveiro. Já
vivi em Braga e agora felizmente
vivo no Porto. Só o facto de saber
que o mar está próximo, mesmo
que não vá lá durante um mês,
já faz diferença. Gosto de tudo o
que está ligado à praia. Nas férias,
por exemplo, faço surf, que é o
meu desporto favorito a seguir
ao andebol. De qualquer forma, o
andebol para mim é trabalho.
Conseguiu fazer alguma coisa
durante o confinamento que
tenha adiado por falta de tempo?
Antes de mais, regressei a casa e
passei uma espécie de férias com a
família, já não estava em convívio
permanente com eles há muito.
Senti-me a recuar no tempo. Foi
engraçado juntarmo-nos outra
vez para cozinhar, falar, ver filmes,
novelas. A nível profissional,
deu para fazer três cadeiras que
vão servir como equivalências.
Estou em Engenharia Têxtil, mas
vou mudar para Engenharia
e Gestão industrial, que é o
meu curso de sonho. A minha
mãe é professora de Educação
Física e o meu pai é engenheiro
mecânico, portanto segui os dois
exemplos. Deu ainda para ler.
REVISTA DRAGÕES SETEMBRO 2020