Dragões #405 Ago 2020 | Page 23

23 Gracias, San Iker! Conquistada a dobradinha por parte do FC Porto, o futebol despediu-se de uma lenda. Talvez a maior das balizas mundiais. Iker Casillas, detentor de um palmarés apenas ao alcance dos predestinados, pendurou as luvas e deu por encerrada uma carreira de 30 anos como atleta recheada de vitórias e registos históricos que dificilmente serão igualados. TEXTO: MANUEL T. PÉREZ Ao longo de três décadas, San Iker ganhou praticamente tudo. Um mundial e dois europeus pela seleção de Espanha, cinco ligas espanholas, duas Taças do Rei, quatro Supertaças de Espanha, três Ligas dos Campeões, três mundiais de clubes e duas Supertaças Europeias pelo Real Madrid. Ao serviço dos Dragões, que o acolheram como um dos seus, o guarda-redes venceu um campeonato português e uma Supertaça. A imagem de Iker a erguer a Taça de Portugal em Coimbra, conquistada pelos colegas que muito o admiram e com quem partilhou tanta experiência no balneário do Dragão, foi a mais bonita e merecida despedida que o madrileno poderia pedir. O problema cardíaco que, desde maio de 2019, o impossibilitou de voltar a calçar as luvas fez com que o mundo do futebol virasse o foco para o Norte de Portugal onde morava um guarda-redes considerado o melhor do mundo em cinco anos consecutivos: entre 2008 e 2012, a FIFA elegeu Iker Casillas para o melhor onze do planeta. Antes de anunciar oficialmente a retirada, o número 1 azul e branco deixou rasgados elogios ao último homem que o orientou. “Por trás de cada treinador sério e disciplinado esconde-se também uma grande pessoa. Durante estes três anos pude verificar que o Sérgio Conceição é assim: exigente ao máximo e competitivo. Quer sempre ganhar e isso é transmitido aos seus jogadores. É fácil dizer agora, mas, se nestes três anos o FC Porto conseguiu troféus e lutou por eles, é por causa deste treinador. Com os seus raspanetes, claro”, escreveu o admirador do técnico portista nas redes sociais. Aos adeptos que sempre o apoiaram e aos companheiros que nunca o abandonaram, a lenda endereçou felicitações: “Parabéns a todos os portistas! E, claro, a todos os meus companheiros! Hoje mostraram essa raça que tanto nos passam os adeptos deste clube! Uma temporada gloriosa!”. A carta de despedida de Casillas surgiu poucos dias depois. Na missiva em que o portero se considera “um sortudo”, San Iker agradece aos clubes que considera seus – Real Madrid e FC Porto –, aos presidentes que lhe permitiram concretizar todos os sonhos – grupo em que se inclui Jorge Nuno Pinto da Costa –, e aos antigos colegas de equipa, sem os quais “nunca teria conseguido nada”. O espanhol também fez questão de deixar palavras de gratidão aos treinadores que lhe ensinaram tudo e aos adeptos por lhe terem “exigido o máximo para conseguir a melhor versão” de si próprio. Em jeito de resposta à mensagem de despedida, Pinto da Costa descreveu o guarda-redes que contratou no verão de 2015 como “um dos nossos”. “É uma referência mundial, não apenas de Espanha, uma referência do futebol mundial e nós temos muito orgulho de o termos tido como atleta estes anos, de ter sido campeão pelo FC Porto há dois anos e de saber que ele continua sentimentalmente ligado ao FC Porto”, acrescentou o líder máximo dos azuis e brancos. O presidente lembrou ainda a ligação intrínseca que o espanhol desenvolveu com a Invicta: “Para se apaixonar pela cidade do Porto, é preciso conhecê-la e vivêla. O Casillas chegou aqui, integrou-se, viveu a cidade do Porto e apaixonou-se por ela. E a cidade retribuiu-lhe com grande carinho, considerando-o um dos seus. É um tripeiro”. Gracias, San! REVISTA DRAGÕES AGOSTO 2020