Dragões #405 Ago 2020 | Seite 22

22 COIMBRA É TRADIÇÃO Conquistar troféus na cidade que viu crescer Sérgio Conceição não é novidade. Na verdade, para o FC Porto já é um costume com quase nove décadas, porque antes de vencer a Taça de Portugal os azuis e brancos já tinham ganho dois Campeonatos de Portugal no desaparecido Campo do Arnado e duas Supertaças nos tempos em que o Cidade de Coimbra era Municipal. E fê-lo sempre contra equipas de Lisboa: primeiro frente ao Belenenses, depois diante do Sporting e mais tarde perante o Benfica, com os “encarnados” a serem triplamente sacrificados neste “penta”. TEXTO: ALBERTO BARBOSA Campeonato de Portugal 1931/32 Campeonato de Portugal 1936/37 A história de erguer troféus em Coimbra tem mais de 88 anos e começou a ser escrita a 17 de julho de 1932 pelos pés de Pinga e Artur Mesquita, que no Campo do Arnado retificaram o empate (4-4) da final frente ao Belenenses e garantiram a vitória na finalíssima (2-1), com arbitragem do espanhol Ramon Melcón, e o terceiro título de Campeão de Portugal ao Supertaça 1991 Supertaça 2004 FC Porto, então treinado por Joseph Szabo. Cinco anos mais tarde, outra vez no Campo do Arnado, o FC Porto completava o ciclo de quatro vitórias no Campeonato de Portugal, derrotando, desta vez, o Sporting, o adversário que os azuis e brancos já tinham vencido nas finais de 1922 e 1925. Em julho de 1937, marcaram Lopes Carneiro, Carlos Nunes e Vianinha, numa vitória por 3-2 da equipa orientada pelo austríaco François Gutkas. Coimbra voltou a ser palco de grandes decisões para o FC Porto 55 anos depois, quando a edição de 1991 da Supertaça só terminou em setembro do ano seguinte. Começou tudo com uma derrota na Luz (2-1), resultado que Timofte retificou nas Antas (1-0), quando os golos marcados fora ainda não serviam de sistema de desempate e os Dragões eram liderados desde o banco por Carlos Alberto Silva. A finalíssima jogou-se oito meses depois, no Municipal de Coimbra, com Isaías a colocar o Benfica em vantagem e João Pinto a repor a igualde a cinco minutos do fim. O prolongamento não trouxe nada de novo e, nos penáltis, os “encarnados” chegaram a dispor de uma vantagem de 3-0, antes de Isaías atirar por cima, de Vítor Baía defender os remates de Hélder e Mostovoi e de Paulinho César fechar a segunda série com um 4-3 favorável aos Dragões. Foi épico, também. Em agosto de 2004, 16 anos antes de levantar a Taça de Portugal em Coimbra em condições nunca antes vistas, o FC Porto regressou à cidade do Mondego para erguer mais uma Supertaça e vencer de novo o Benfica, bastando, então, um grande golo de Ricardo Quaresma para dar ao treinador Víctor Fernández o primeiro de dois títulos com os Dragões. O outro foi “só” a última edição da Taça Intercontinental. REVISTA DRAGÕES AGOSTO 2020