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“Todas as armas estavam
apontadas a nós e havia um
sentimento de salvação nacional
para o Benfica ganhar alguma
coisa. Mesmo com dez, esta época
a nossa equipa foi irresistível.
Em todas as circunstâncias,
vencemos categoricamente.”
três resultados possíveis. Os
grandes derrotados desta época
foram alguns comentadores e
alguns órgãos de comunicação
social. Um inteligente lá do
bairro disse que o Benfica vinha
ao Dragão dar o xeque-mate no
campeonato e que era grande
demais para jogar em Portugal.
Essa equipa, no fim, não ganhou
nada. O Benfica perdeu, soube
perder e perdeu com dignidade”.
Quando falámos das
circunstâncias nunca dantes
vividas, referimo-nos, por
exemplo, aos jogos de futebol
sem adeptos nas bancadas dos
estádios, algo que o presidente do
FC Porto considera vergonhoso
e incompreensível: “Todas as
pessoas responsáveis com quem
falei, todas acharam inacreditável
não poderem estar algumas
centenas de pessoas a assistir à
final de ontem. Toda a gente acha
que não faz sentido, que não tem
razão de ser. Isto vai levar clubes
à falência, como aconteceu
com o CD Aves, que estava à
espera das receitas dos jogos
com o FC Porto e com o Benfica
para regularizar pagamentos.
Permite-se público nas touradas
e em espetáculos fechados, mas
num jogo de futebol ao ar livre,
não. Só queria entender, mas
ninguém me explica. Mas quem
é que manda, afinal? Este país
está sem rei nem roque. Há muita
gente que permite isto e vai levar
clubes à falência. O futebol é
para o público, não é para nos
divertirmos sozinhos. Acho
inadmissível que jogos como
a final de ontem não tenham
público. A final da Taça de França
teve 10 mil pessoas nas bancadas
e não houve problema nenhum.
Isto demonstra o desprezo dos
nossos governantes pelo futebol”.
REVISTA DRAGÕES AGOSTO 2020