Dragões #405 Ago 2020 | Página 18

18 “Todas as armas estavam apontadas a nós e havia um sentimento de salvação nacional para o Benfica ganhar alguma coisa. Mesmo com dez, esta época a nossa equipa foi irresistível. Em todas as circunstâncias, vencemos categoricamente.” três resultados possíveis. Os grandes derrotados desta época foram alguns comentadores e alguns órgãos de comunicação social. Um inteligente lá do bairro disse que o Benfica vinha ao Dragão dar o xeque-mate no campeonato e que era grande demais para jogar em Portugal. Essa equipa, no fim, não ganhou nada. O Benfica perdeu, soube perder e perdeu com dignidade”. Quando falámos das circunstâncias nunca dantes vividas, referimo-nos, por exemplo, aos jogos de futebol sem adeptos nas bancadas dos estádios, algo que o presidente do FC Porto considera vergonhoso e incompreensível: “Todas as pessoas responsáveis com quem falei, todas acharam inacreditável não poderem estar algumas centenas de pessoas a assistir à final de ontem. Toda a gente acha que não faz sentido, que não tem razão de ser. Isto vai levar clubes à falência, como aconteceu com o CD Aves, que estava à espera das receitas dos jogos com o FC Porto e com o Benfica para regularizar pagamentos. Permite-se público nas touradas e em espetáculos fechados, mas num jogo de futebol ao ar livre, não. Só queria entender, mas ninguém me explica. Mas quem é que manda, afinal? Este país está sem rei nem roque. Há muita gente que permite isto e vai levar clubes à falência. O futebol é para o público, não é para nos divertirmos sozinhos. Acho inadmissível que jogos como a final de ontem não tenham público. A final da Taça de França teve 10 mil pessoas nas bancadas e não houve problema nenhum. Isto demonstra o desprezo dos nossos governantes pelo futebol”. REVISTA DRAGÕES AGOSTO 2020