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SENINHO
SEJA EU!
Era tão rápido, tão rápido, que lhe chamavam “Mirage”.
A velocidade que atingia no relvado inspirou várias
comparações e a mais criativa de todas ganhou
asas e fez dele um caça supersónico, um dos mais
bem-sucedidos da história da aviação militar. No
resultado de outras imagens, um pouco menos ousadas,
ficou também conhecido por “Fórmula 1”, “Speedy
Gonzalez” e “Expresso do Norte”. Morreu a 4 de julho,
aos 71 anos. Esta é a última grande entrevista de Seninho,
que recuperamos tal qual a publicámos na edição de
março de 2017. No presente histórico, como ele merece.
ENTREVISTA de ALBERTO BARBOSA
NOME
ARSÉNIO “SENINHO”
RODRIGUES JARDIM
DATA DE NASCIMENTO
1 DE JUNHO DE 1949
DATA DE FALECIMENTO
4 DE JULHO DE 2020
NATURALIDADE
LUBANGO, ANGOLA
NACIONALIDADE
PORTUGUESA
CLUBES
FC LUBANGO
FERROVIÁRIO
FC PORTO
NEW YORK COSMOS
CHICAGO STING
TÍTULOS
1 LIGA PORTUGUESA
1 TAÇA DE PORTUGAL
4 LIGA NORTE-AMERICANA
Seninho, alto e esguio, fazia 10,08
segundos aos 100 metros, marca
registada por Hernâni Gonçalves
num treino. Não sabe se contra
o vento ou a favor dele, mas
desconfia que o fez sem o calçado
adequado. “Às vezes era tão rápido
que chegava à linha final e tinha
que ficar à espera que o Gomes e o
Duda chegassem”, recorda com um
sorriso, ainda de desafio. Só depois
dirigia o passe. “Sim, porque eu não
era um goleador”, explica. “Eu fazia
passes de morte”. Anos mais tarde,
ainda antes de Calvin Smith retirar
dois centésimos de segundo ao
recorde mundial do hectómetro e
correr a distância em 9,93 segundos,
um jornalista norte-americano
perguntou-lhe por que não tinha
preferido o atletismo ao futebol.
Na altura não soube responder, mas
hoje interroga-se “se não poderia ter
sido um Carl Lewis…”.
Trinta e nove anos depois, os
motivos da escolha parecem-lhe
mais claros do que nunca. O que
Seninho realmente queria era
“uma bolinha para jogar”. Desde
criança, dos tempos em que o
Lubango, em Angola, ainda era
Sá da Bandeira. “Tinha um prazer
enorme ao jogar futebol. Sábado
sem pesca nem futebol não era
sábado para mim”, recorda. “Não
era sequer fim de semana”. Ainda
hoje, depois de tantas vezes ter
jogado em estádios cheios, de ter
conquistado troféus e aplausos,
para o “Mirage” nada se compara
à “inocência” e ao “autêntico” das
peladas noturnas no descampado
atrás de casa da avó. “Jogar ao luar
de África era extraordinário, era
uma coisa fabulosa… É impossível
não ficar nostálgico”, pede desculpa.
É também à noite, mas já na Europa,
que Seninho encontra o golo da
vida dele. Bom, na verdade são dois,
porque os vê, revê e não consegue
decidir. Sabe apenas que o marcou
naquele jogo da Taça das Taças em
Manchester, onde fez “dois golos
com uma arte extraordinária”. Um
deles é o tal, é o golo de uma vida.
AMEAÇA DE BOMBA NO HOTEL
Na primeira mão da segunda
eliminatória, nas Antas, o FC Porto
tinha surpreendido o Mundo.
“Ganhámos cá 4-0, com três
golos do Duda e um do Oliveira”.
Lembra-se como se fosse hoje.
Lembra-se também de como a
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