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gravidade no início de outubro e
só voltei a jogar no último jogo da
época. Na segunda época regressei
em janeiro, por força de uma lesão
do António Areia, fiz três ou quatro
jogos na equipa A e o resto na
equipa B, portanto tenho a certeza
de que nem eu nem ninguém
esperávamos que as coisas
tivessem corrido desta maneira.
Lesionou-se gravemente
no dia 14 de setembro de
2019, na receção ao Meshkov
Brest da Liga dos Campeões.
Foi o maior contratempo
que já enfrentou enquanto
jogador até ao momento?
Já me tinha lesionado também
ao serviço da ADA Maia. Parti o
perónio durante um jogo e estive
parado durante sete meses.
A recuperação durou
quatro meses e meio.
Manteve-se sempre otimista
durante esta fase?
Não, penso que isso seja impossível.
Pelo menos para mim foi, que já
sou pessimista por natureza. Ao
longo de uma recuperação de
uma lesão grave existem vários
contratempos e isso torna difícil
mantermo-nos otimistas durante
todo esse período. Ainda assim,
como já tinha tido a outra lesão, já
sabia que ia passar por momentos
difíceis e também tive um grande
apoio de todas as pessoas
próximas de mim. O Rúben Castro,
o Tiago Cadete e o Vasco Marques
foram os que estiveram mais
envolvidos na minha recuperação,
mas todos os outros também
foram bastante importantes:
os meus companheiros de
equipa e treinadores, a minha
família, namorada e amigos.
Participou em duas partidas da
equipa B na segunda divisão
REVISTA DRAGÕES ABRIL 2020
antes de voltar a jogar no
Andebol 1, o que aconteceu
apenas em meados de fevereiro
contra a ADA Maia. Foi uma
questão de prudência?
Sim, depois de uma paragem tão
longa, era preciso testar o meu
joelho num jogo com menos
intensidade e pressão do que
na primeira divisão para ter
a certeza de que estava tudo
bem e já era capaz de jogar.
Sente que voltou a estar na
plenitude das capacidades
depois da lesão?
Já me sinto recuperado da
lesão, mas não me sinto a
100% fisicamente. Para chegar
a esses 100% são necessários
alguns jogos, para perder receios
e soltar mais o corpo e a mente.
Vinha a sentir-me cada vez melhor
de jogo para jogo antes deste
contratempo que parou o mundo.
O FC Porto foi a melhor equipa
durante a primeira fase do
campeonato e estava também
na Taça de Portugal. O grupo
estava tão forte esta época como
na anterior, em que conseguiu
a histórica “dobradinha”?
Estávamos ainda mais fortes
nesta época! O nosso percurso
na Liga dos Campeões é
prova disso mesmo.
Como avalia a decisão da
federação de dar a época por
terminada e sem atribuir o
título ao FC Porto, primeiro
classificado da primeira fase?
É uma decisão que nos desilude,
como é óbvio. Penso que não
havia condições para fazer os
restantes jogos, mas o facto de o
título não ter sido atribuído ao
primeiro classificado desvaloriza
o esforço e dedicação de todos
os clubes e atletas desde meados
"Todas as equipas jogaram umas
contra as outras em casa e fora,
portanto a verdade e mérito
desportivo estariam salvaguardados."
de julho do ano passado até ao
último jogo realizado antes da
pandemia. Mais especificamente
no caso da nossa equipa, houve
várias lesões graves, o que torna
esta decisão ainda mais frustrante.
A federação deveria ter tomado
uma decisão na linha do que
fizeram outros campeonatos
de andebol. Praticamente todos
declararam o primeiro classificado
campeão e a decisão não foi em
conjunto com federações de outras
modalidades, cujos modelos
competitivos são diferentes
do nosso. Além disso, todas as
equipas jogaram umas contra as
outras em casa e fora, portanto
a verdade e mérito desportivo
estariam salvaguardados. Resta-
nos aceitar a decisão e começar
a pensar na próxima época para
voltarmos ainda mais fortes.
A nível internacional, o
vosso desempenho na Liga
dos Campeões foi dos mais
surpreendentes pela positiva,
mas o FC Porto não voltará a
atuar nesta edição da competição,
já que a Federação Europeia de
Andebol cancelou os oitavos
e quartos de final, depois de
ter adiado para dezembro a
final four, em que só estarão
as quatro equipas mais bem
posicionadas da fase de grupos.
Foi certamente uma decisão que
entristeceu bastante o plantel…
Claro que sim, estávamos prestes