OS IMORTAIS # 40
JOGADA DE MARKETING
PAVÃO PAGOU MAS NÃO VIU
SÓ FALHOU UM JOGO EM TRÊS ANOS
OS IMORTAIS # 40
Jorge Vieira posou ao lado da estátua de Cubillas na visita ao Museu FC Porto.
JOGADA DE MARKETING
A contratação de Cubillas teve impacto como nenhuma outra contratação no FC Porto, ou até no futebol português. Rolando e Guedes, que integravam o plantel, não só perceberam o que se passava como descobriram forma de tirarem partido da atenção que o craque concentrava: estando a comercializar uma linha de cachecóis com as cores do clube,“ provocaram” a fotografia ao lado de Cubillas, os três usando o adereço. A foto saiu em vários jornais, e em“ O Porto” com objetivo bem claro, como se lê na notícia que a acompanha:“(...) Na gravura, vemo-lo entre Guedes e Rolando, de cachecol azul e branco traçado ao pescoço, adereço folclórico que é também símbolo actual de unidade e espírito de equipa, e que por certo, domingo após domingo, as falanges portistas levarão pelo país fora. De resto, os já populares cachecóis nem são caros nem difíceis de arranjar. Basta procurá-los nas secretarias do estádio ou da sede, ou diretamente junto da“ firma” Rolando & Guedes, os atletas que tiveram a feliz ideia de lançar o referido adereço, junto dos sócios e adeptos do FC Porto”. Puro marketing...
PAVÃO PAGOU MAS NÃO VIU
A chegada de Cubillas ao FC Porto deu azo às mais diversas reações, algumas positivas e outras muito críticas. Houve mesmo quem comentasse que o preço pago pelo passe do peruano e o ordenado que iria ganhar criariam desequilíbrios no balneário capazes de provocar graves problemas na relação com os outros futebolistas. Seria Pavão, então estrela maior do plantel e voz autorizada no seio do grupo, quem surgiria publicamente a defender a chegada do reforço, em declarações ao“ Jornal de Notícias”( que“ O Porto” transcreveria):“ A vinda de Cubillas ainda mais concorrerá para a valorização de todos nós. Ao estabelecer-se o inevitável paralelo de valores, as pessoas vão aperceber-se que no FC Porto, além de Cubillas, há
REVISTA DRAGÕES fevereiro / março 2017
Guedes, Cubillas e Rolando
SÓ FALHOU UM JOGO EM TRÊS ANOS
Teófilo Cubillas realizou o primeiro jogo oficial com a camisola do FC Porto no dia 10 de fevereiro de 1973, frente à CUF, no Estádio Alfredo Silva, e o último a 16 de Janeiro de 1977, no Estádio da Luz, defrontando o Benfica – ambos da Liga portuguesa. Entre um e outro mediaram 1072 dias, durante os quais o FC Porto disputou 110 jogos, tendo o peruano falhado apenas um: nas Antas, frente ao Braga( jogo da Liga), em Outubro de 1975, porque estava ao serviço da seleção do Peru, em competição na Copa América. Curiosamente, e contrariando todos os bons adjetivos que lhe eram atribuídos na época, esta ausência valeu a Cubillas um processo disciplinar, acusado de se ter ausentado sem a devida licença do clube. Nada que beliscasse o inegável carinho / reconhecimento que o peruano soubera conquistar junto dos adeptos( e que mantém décadas depois), até pelo profissionalismo e respeito pelo clube que sempre demonstrou e que fica bem patente no facto de ter sido este o único jogo oficial em que não participou nos cerca de três anos que passou no FC Porto.
outros bons jogadores. Que venha portanto, e quanto antes. Será recebido com a melhor camaradagem que tem sido dispensada a todos os novos colegas que a cada passo chegam ao FC Porto”. Pavão acreditava mesmo nesta sua tese, tanto que, confessa Jorge Vieira no livro em que escreve as suas memórias enquanto dirigente portista, o craque doou“ mil escudos” para ajudar na transferência. De resto, o plano inicial dos responsáveis era juntar o génio de Cubillas ao de Pavão e partir à conquista da hegemonia no futebol português e não só. Não foi possível, porque Pavão faleceu em pleno relvado da Antas, no dia 16 de Dezembro de 1973, 13 dias depois de Cubillas ter passado pela cidade do Porto para discutir os últimos pormenores do contrato que assinaria dias depois. Pavão e Cubillas nunca jogariam juntos...