Dragões #479 Out 2026 | Page 7

em viver no passado. Esperamos agora decisões, financiamento e execução. Já perdemos demasiado tempo entre apresentações e intenções para aceitar que tudo volte a adormecer quando passar a polémica.
Mas a modernização não se faz apenas com equipamentos; exige também coerência nas decisões e nas explicações. A comissão técnica de arbitragem decidiu validar a atuação de João Pinheiro e do VAR no SC Braga-Sporting CP, perante uma mão na área que, para todos os especialistas e analistas de arbitragem, exigia a marcação de grande penalidade. Ao novo Diretor Técnico Nacional, pedimos a lisura e a clareza necessárias para vir dar explicações sobre todos os incidentes envolvendo todos os clubes ou, para não repetir o caminho do anterior responsável, cujas explicações tantas vezes confundiram os árbitros em vez de os orientar, remeter as discussões para sede própria, evitando lançar ainda mais dúvidas quando os casos são por demais evidentes. O problema de Braga não termina no penálti que ficou por assinalar: prolonga-se em justificações que, em vez de esclarecer, lançam confusão sobre os próximos lances. Que critério deverão os árbitros aplicar amanhã? O das decisões anteriores ou o da explicação que agora convém?
Enquanto isso acontecia, o Presidente do Conselho de Arbitragem estava na televisão a defender o seu bom nome. Um clube beneficiava de uma decisão errada da equipa de arbitragem e o responsável máximo do setor dividia-se entre o exercício do cargo e a sua defesa pessoal em canal aberto. Mas que normalidade é esta? O direito de defender o bom nome é inquestionável; o que contestamos há muito tempo é que o faça mantendo o pleno exercício das suas funções. O FC Porto pediu, e pede, uma suspensão temporária de funções do Presidente do Conselho de Arbitragem: a Instituição FPF e a credibilidade das competições assim o merecem. Mas essa medida não foi tomada e o clima de instabilidade mantém--se. A permanência neste quadro é insustentável e a passividade do Presidente da Federação Portuguesa de Futebol e do Presidente da Liga de Clubes agrava ainda mais o descrédito. O futebol português precisa de lideranças fortes e de confiança, não de ver cada polémica de campo acompanhada por uma crise institucional que ninguém parece disposto a resolver.
Felizmente, o FC Porto consegue superar todas as adversidades, e à Supertaça de futebol juntaram-se as de basquetebol e de voleibol feminino, modalidades em que se seguiram as primeiras vitórias nas respetivas Ligas dos Campeões. Ao Fernando Sá, ao Miguel Coelho, aos atletas e às equipas de apoio, muitos parabéns pelo arranque e pela ambição que demonstram. O andebol tem dado sinais promissores, tal como o futsal, e merece destaque o apoio no Dragão Arena. A ligação dos adeptos às nossas equipas não termina no estádio nem depende da modalidade. As magníficas assistências, a energia das bancadas e a presença nos momentos difíceis mostram que o ecletismo se vive e se constrói em conjunto. Esse apoio é precioso e aumenta a nossa responsabilidade.
É também essa ligação que torna tão importante preservar a memória de quem nos ensinou a competir. O documentário dedicado a Jorge Costa foi um momento de emoção profunda e uma homenagem que honra a sua vida, a sua família e o seu percurso no FC Porto. Agradeço à família, aos amigos e a todos os antigos jogadores e treinadores que participaram, nomeadamente ao Sérgio Conceição e ao Eng. Fernando Santos, pela generosidade com que partilharam memórias. Às equipas do Clube que o produziram, o nosso reconhecimento por permitirem a outras gerações conhecer o homem para além dos troféus. Há exemplos que continuam a exigir o melhor de nós muito depois da despedida. O do Jorge é um deles.
Caros Portistas, novembro pede-nos trabalho, concentração e a união que nos trouxe até aqui. Temos vitórias para defender, dificuldades para corrigir e objetivos que só alcançaremos se o coletivo continuar acima de cada um. O orgulho pelos Dragonados, a exigência de Farioli, a força das modalidades e o exemplo do nosso Capitão devem ocupar mais espaço nas nossas vidas do que o ruído de quem nos quer diminuir.
Continuaremos a defender o FC Porto onde for necessário, contra tudo e contra todos quando assim tiver de ser, mas sem perder o foco no que depende de nós. A melhor resposta continuará a ser dada em campo, com a coragem de quem sabe que o compromisso com a vitória se renova todos os dias.
Viva o Futebol Clube do Porto.