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OUTUBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
Em 1991, o FC Porto saiu da Corunha com a Torre de Hércules em ouro. Em 2004, trouxe de lá o direito de disputar uma taça ainda maior.
Fran González disputa a bola com Deco no Dragão, na primeira mão da meia-final da Liga dos Campeões, em abril de 2004. O capitão do Deportivo já tinha defrontado o FC Porto na final do Teresa Herrera de 1991 e voltava a encontrar os portistas 13 anos depois. Faltava ainda um capítulo inesperado nesta ligação: Nico González, filho de Fran, viria a representar o clube que o pai tentava superar.
O Troféu Teresa Herrera reproduz a Torre de Hércules, monumento que há quase dois mil anos orienta quem chega à Corunha por mar. Em 1991, o FC Porto conquistou a versão dourada desta peça, levando do Riazor uma das taças mais singulares do futebol.
Antes da torre
O Teresa Herrera nasceu de uma ideia simples: jogar futebol para ajudar os hospitais da Corunha. A proposta surgiu em 1944 e, dois anos depois, o Sevilha venceu o Athletic no encontro inaugural. O torneio adotou o nome da mulher que, no século XVIII, tinha doado os seus bens para criar o Hospital de Caridade da cidade. Com o tempo, o jogo único deu lugar a um torneio quadrangular e a taça ganhou outra forma. Desde 1970, reproduz a Torre de Hércules, o farol construído pelos romanos à entrada da Corunha há quase dois mil anos e que ainda hoje serve de sinal à navegação. É Património Mundial desde 2009. Em 1989, as comemorações dos 400 anos da resistência da Corunha à armada inglesa de Francis Drake deram à taça uma versão dourada. A escolha repetiu-se nos dois anos seguintes e, em 1991, foi o FC Porto a erguer a Torre de Hércules produzida em ouro, que agora brilha no museu do clube.
Houve sempre boas razões para levar aquela taça a sério. Em diferentes edições, o Riazor recebeu o Santos de Pelé, o Botafogo de Garrincha e o Flamengo de Zico. Também por lá jogaram Cruijff, pelo Ajax e pelo Barcelona, Beckenbauer, pelo Bayern, e Zidane, com as camisolas da Juventus e do Real. Em 1991, uma dessas estrela esteve mesmo no caminho do FC Porto: Emilio Butragueño jogava no Real Madrid que os azuis e brancos afastaram para chegar à final.
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