ENTRE LINHAS
OUTUBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
Sem saldo transferível
Em Barcelos, o FC Porto teve de mudar o onze antes de começar, mas não mudou a conta que vinha a fazer no campeonato: nove jornadas, nove vitórias, liderança isolada e um pleno sem par entre as dez principais ligas europeias. Entre a Madeira e Barcelos couberam o Betis e o PSV, mas a conta da Champions ficou por abrir.
TEXTO de ALBERTO BARBOSA
Samu pôs o FC Porto em vantagem e deu motivos para festejar em Sevilha. A reviravolta estava feita. O jogo é que ainda não.
Um centímetro. Foi essa a distância que separou Oskar Pietuszewski de estar fora de jogo e muita gente de ter uma noite mais agradável. O futebol, que durante décadas resolveu estas questões com um braço no ar e a convicção de quem estava a quarenta metros, dispõe agora de instrumentos de precisão, mas nem por isso perdeu a capacidade de discutir a régua quando não gosta da medida. Na Madeira, a medida deu golo. Oskar tinha entrado cinco minutos antes e resolveu um problema que já durava há demasiado tempo para quem tinha acabado de chegar. A juventude tem destas inconveniências, às vezes chega sem a paciência necessária para aceitar que aquela é uma tarde complicada.
Kiwior fez o passe, o compatriota tratou do resto e a ligação polaca permitiu manter uma contabilidade sem grande interesse para os apreciadores de crises. Oito jogos, oito vitórias. Não foi, evidentemente, uma exibição para emoldurar. O Marítimo marcou primeiro, Froholdt empatou e Fran Vieites foi defendendo como se tivesse alguma coisa contra a previsibilidade da classificação. Estava no seu direito. Ao FC Porto competia encontrar uma solução e encontrou-a no banco, onde Farioli tinha deixado um rapaz com ideias próprias sobre a divisão de pontos. O pleno tem o defeito de habituar mal. Ao fim de oito jornadas, ganhar começa a parecer uma formalidade e qualquer dificuldade passa por desvio ao programa. Convém recordar que o adversário também comparece com um plano, mesmo quando esse pormenor não cabe nas previsões. Nos Barreiros, o FC Porto teve de trabalhar até muito perto do fim. O centímetro confirmou o golo, mas não fez o trabalho por ninguém.
Uma volta a mais
La Cartuja tem um lugar reservado na memória portista, mas não oferece descontos a antigos clientes. O FC Porto voltou ao estádio onde ganhou a Taça UEFA e descobriu, se precisava de o descobrir, que as boas recordações não defendem cruzamentos nem conservam vantagens. Durante algum tempo, pareceu possível juntar as duas noites numa conversa agradável. O Betis marcou, Gabri Veiga respondeu de livre e Samu fez o segundo,
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