ANTÓNIO NICOLAU D’ ALMEIDA
TEMA DE CAPA
OUTUBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
DRAGÃO DE HONRA
O bisavô António
O fundador recebeu o mais alto galardão do FC Porto e a bisneta levou ao palco o nome pelo qual a família o recorda: o bisavô António. Ao lado de Olga Nicolau d’ Almeida, o pequeno Tomás segurava o troféu de uma homenagem que juntou 133 anos de história e várias gerações de portistas.
ANTÓNIO NICOLAU D’ ALMEIDA
Nas mãos de Tomás estava o Dragão de Honra atribuído ao fundador do FC Porto. Ao lado, a avó Olga Nicolau d’ Almeida agradecia em nome da família e imaginava a reação do bisavô perante a dimensão que o clube alcançou.“ Se ele pudesse ver no que se tornou o clube que ele fundou, não poderia ficar mais orgulhoso.” A homenagem recuava a 28 de setembro de 1893, data do primeiro registo da fundação. António Nicolau d’ Almeida, jovem comerciante de vinho do Porto, dava então início a uma associação para a prática do futebol numa cidade onde a modalidade procurava espaço. Daquele impulso nasceu um clube que atravessou gerações, alargou a atividade a outros desportos e levou o nome do Porto ao mundo. Olga resumiu os interesses do bisavô com uma fórmula simples:“ O futebol e o vinho do Porto, uma combinação perfeita.” O discurso aproximou assim a figura histórica do homem recordado em casa. Por instantes, António Nicolau d’ Almeida foi sobretudo o bisavô António, ponto de partida de uma ligação que a família continua a alimentar. A bisneta deu conta dos candidatos a prolongá-la dentro de campo. Dois já jogam futebol, outros ainda estão a aprender a andar e o mais novo tinha nascido na semana anterior.“ Vamos ver o que conseguimos tirar daqui”, comentou, deixando o futuro em aberto e dando à solenidade do prémio a leveza de uma conversa entre familiares. Quanto às próprias possibilidades de vir a jogar, Olga mostrou-se menos esperançosa. Tomás tentou recentemente ensinar-lhe dois dribles:“ a cueca e a letra”. A segunda experiência deixou marcas.“ Esta última valeu-me várias nódoas negras nas pernas.” O neto que segurava o troféu já tinha, portanto, uma primeira tentativa de ensino para contar. No final, Olga desejou a André Villas-Boas e a todos os portistas o maior sucesso na tarefa de levar o clube mais longe. O agradecimento pelo reconhecimento do fundador terminava com um desejo de continuidade e, enquanto a avó falava do bisavô António, Tomás tinha nas mãos o prémio de quem deu início a tudo.
41