PAULO FUTRE
João
TEMA DE CAPA
OUTUBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
VINTAGE
Ele e mais dez
Paulo Futre recebeu o segundo Dragão de Ouro e chamou João Pinto para junto dele. Queria dividir o prémio com os campeões europeus de 1987. Depois, entre a emoção e o humor, recordou o homem que acreditou nele e lhe mudou a vida com uma frase.
PAULO FUTRE
“
, vem aqui. Vem aqui ao pé do teu amigo.” Paulo Futre tinha um Dragão de Ouro para receber e antigos companheiros para homenagear. Ao chamar João Pinto, o capitão da equipa campeã europeia de 1987, deu forma à dedicatória que queria fazer.“ Este é muito especial, porque não é só meu.” O prémio Vintage distinguia um dos talentos mais deslumbrantes que passaram pelas Antas, mas Futre quis partilhá-lo com os jogadores que conquistaram Viena. Na recordação dessa equipa couberam também Zé Beto, Fernando Gomes e Lima Pereira. Os nomes dos companheiros já falecidos trouxeram ao palco a saudade de um grupo que continua a reconhecerse quase quatro décadas depois. A emoção estendeu-se a Pinto da Costa. Dirigindo-se a André Villas-Boas, Futre confessou ter ficado tocado pelas palavras do presidente sobre o antecessor.“ Esteja onde ele estiver, não tenho a mínima dúvida, pelo trabalho excelente que estás a fazer, está muito orgulhoso de ti.” Foi também a Pinto da Costa que atribuiu a mudança decisiva no rumo da carreira. Recuou a julho de 1984, quando chegou ao FC Porto com 18 anos e a confiança abalada.“ Ninguém acreditava em mim. Nem eu mesmo acreditava em mim. Só uma pessoa no planeta acreditava em mim: o presidente Pinto da Costa.” A promessa que ouviu ficou guardada: no FC Porto, seria ele e mais dez. Três anos depois, tinha ajudado a levar o clube ao título europeu e discutia um lugar entre os melhores jogadores do mundo. As arrancadas, a capacidade de desequilibrar e o atrevimento tinham encontrado nas Antas espaço para crescer. Mas Futre fez questão de lembrar que aquela decisão também lhe dera uma cidade, o encontro com Isabel, mãe dos filhos, e os próprios Paulo e Fábio, presentes na gala.“ Estão aqui as duas feras”, anunciou, com o orgulho de pai a interromper por instantes as memórias do jogador. Depois chegou a história do Porsche amarelo, oferecido por Gil y Gil na transferência para o Atlético de Madrid. Futre contou que a cor o fizera hesitar. Pinto da Costa, atento ao risco de o negócio recuar por causa de um automóvel, aproximou-se para lhe dizer que poderia pintá-lo de azul ou até de vermelho. O essencial era não estragar a transferência por o carro ser amarelo. Na voz de Futre, a gratidão também tinha espaço para uma boa gargalhada. No final, agradeceu a Villas-Boas por se ter lembrado dele e aos portistas pelo carinho que atravessou 42 anos.“ Foi uma honra jogar neste clube. Só joguei cá três anos.” O tempo tinha bastado para se tornar inesquecível. E, com João Pinto novamente por perto, o discurso acabou como tantos momentos que viveram juntos:“ Força, Porto!”
40