Dragões #479 Out 2026 | Page 18

TEMA DE CAPA
OUTUBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
Um lugar que não se perde
A exigência estendeu-se à relação com os sócios, numa das passagens mais significativas do discurso. Villas- Boas reconheceu o esforço financeiro pedido pelas mudanças nos lugares anuais e dirigiu-se também a quem não conseguiu renovar, por vezes depois de décadas de presença no estádio.“ A dificuldade de pagar um lugar anual nunca diminui o lugar de um sócio no FC Porto.” A frase deu expressão a uma preocupação concreta, com o crescimento do clube a ter de preservar a proximidade com as pessoas que o sustentam. Ao agradecimento pela confiança, o presidente associou uma obrigação de resposta: melhor serviço, mais proximidade e mais títulos.“ O clube é vosso”, afirmou. À Direção e à Administração cabe cuidar desse património e entregá-lo mais forte às gerações seguintes. Às Casas do FC Porto, em Portugal e no estrangeiro, reconheceu o trabalho nas deslocações, nas iniciativas solidárias e no acolhimento dos mais novos, porque a ligação ao clube prolonga-se nesses gestos, muitas vezes longe do Dragão e dos dias de jogo. Também os funcionários tiveram lugar nesse reconhecimento. Das áreas médicas à logística, do Museu às operações, Villas- Boas lembrou as horas de trabalho e o tempo retirado às famílias.“ Trabalham longe dos aplausos, mas nenhum destes títulos se conquistaria sem vocês.” Numa cerimónia que distingue percursos individuais, o presidente fez questão de devolver a cada conquista a dimensão coletiva que a tornou possível.
Preparar o que vem a seguir
O futuro ganhou uma expressão concreta com o anúncio de que o Centro de Alto Rendimento tem o licenciamento aprovado para avançar com a obra. A formação, que tinha acabado de conquistar um pleno histórico, ocupou assim o discurso tanto pelos resultados como pelas condições de que precisará para continuar a produzir talento.“ O objetivo não é apenas ganhar hoje, mas deixar o FC Porto mais preparado para vencer amanhã.” A infraestrutura inscreve-se nessa intenção, tal como o alargamento da prática desportiva. O lançamento do futsal, o basquetebol adaptado e as oportunidades proporcionadas pela fundação foram apresentados como formas de dar a mais pessoas condições para representar o clube e desenvolver as suas capacidades. A ambição competitiva traz essa responsabilidade. Ganhar continua a ser o objetivo, mas abrir portas e acompanhar os atletas também faz parte do trabalho de um clube eclético.
A obra e as pessoas
O percurso pelos 133 anos do FC Porto teve nomes, decisões e lugares. Dos fundadores aos presidentes ligados ao crescimento do clube, das primeiras casas às Antas e ao Dragão, Villas-Boas recordou contributos que permitiram a cada geração receber mais do que a anterior tinha encontrado. A homenagem a Pinto da Costa destacou os títulos europeus e mundiais, o pentacampeonato e as infraestruturas que marcaram uma presidência com mais de quatro décadas.“ A sua obra pertence para sempre à história do FC Porto e exige-nos, por isso, continuidade.” O reconhecimento desse legado acompanhou uma ideia de serviço que o atual presidente aplicou a si próprio:“ O maior privilégio que um portista pode ter é ser útil ao FC Porto.” Jorge Costa surgiu com a emoção de uma ausência ainda muito presente. A sete dias da data em que completaria 55 anos, Villas-Boas recordou o amigo, o capitão e a exigência que deixou na equipa campeã. Evocou também a bandeira que desceu ao relvado na celebração do título:“ Sentimos
que o Bicho voltava a abraçar-nos e a celebrar connosco.” Naquela conquista permanecia uma parte do seu trabalho.
O mesmo rigor
Para fora, o presidente deixou uma posição firme sobre o tratamento dado ao FC Porto. Aceitar a crítica, o escrutínio e a diferença de opinião implica exigir critérios iguais.“ Não pedimos que nos poupem às perguntas difíceis; pedimos que sejam feitas a todos com o mesmo rigor.” À comunicação social pediu distinção entre factos e preferências, entre crítica e insinuação, entre opinião e militância clubística.“ Os critérios não podem mudar consoante a camisola.” E garantiu que a atenção ao trabalho interno não deixará o clube sem defesa. No final, voltou aos campeões e ao que espera deles. As conquistas da nova época já tinham começado, mas a ambição passava por renovar o título no futebol e voltar a vencer nas modalidades. Para isso, pediu concentração, atenção ao detalhe e humildade para corrigir os erros. A frase que deixou aos presentes servia igualmente a quem estava no palco, nas bancadas ou num qualquer departamento do clube:“ Ser campeão em título aumenta a responsabilidade, não diminui o trabalho.” A noite podia prolongar os aplausos, mas o próximo campeonato já estava à espera de quem o merecesse.
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