Dragões #479 Out 2026 | Page 17

TEMA DE CAPA
OUTUBRO 2026 REVISTA DRAGÕES

O campeonato estava conquistado, os troféus tinham encontrado lugar no Museu e a noite pertencia a quem os tinha tornado possíveis. André Villas-Boas aproveitou-a para lembrar que a próxima vitória continuava por alcançar.“ Se não nos escondemos quando falhámos, também não podemos acomodar-nos agora que vencemos.” Na abertura da 39.ª gala dos Dragões de Ouro, a frase ligou duas épocas e duas circunstâncias bem diferentes: a confiança defendida num momento difícil e a obrigação de lhe dar continuidade depois de chegar ao título. Um ano antes, o presidente tinha reconhecido os erros e pedido confiança num caminho ainda por percorrer. Agora, podia apresentar resultados. O 31.º campeonato nacional de futebol encabeçava uma época em que os sub-19, os sub-17 e os sub-15 também foram campeões, o basquetebol recuperou um título que lhe escapava há dez anos, o voleibol feminino conquistou a dobradinha e o hóquei em patins venceu a quarta Liga dos Campeões. O futebol feminino juntou a subida à primeira liga à presença na final da Taça de Portugal. A dimensão desse balanço dava à festa razões de sobra, mas dava também ao presidente motivos para exigir mais. No futebol sénior, Villas-Boas atribuiu o regresso ao primeiro lugar a uma transformação que envolveu quem ficou e quem chegou. Uns souberam“ converter a dor em ambição” e os outros perceberam depressa a responsabilidade que tinham assumido. A todos reconheceu a capacidade de manter a equipa unida e de colocar o coletivo acima dos interesses individuais. O elogio a Francesco Farioli seguiu a mesma linha. Ao conhecimento do jogo e ao método, o presidente acrescentou a capacidade de ouvir, de aproximar as pessoas e de fazer cada jogador sentir a importância do seu contributo. O título também se explicava por essa gestão humana.“ Há um ano, afirmámos a nossa convicção nesta escolha. Hoje agradecemos a forma como a honrou, sabendo que é o primeiro a exigir ainda mais.”

17