Dragões #478 Set 2026 | Página 6

A VISÃO DO PRESIDENTE
SETEMBRO 2026 REVISTA DRAGÕES

Quanto vale um Pote?

Caros Portistas, A 28 de setembro, o Futebol Clube do Porto celebra 133 anos de História, de crescimento e de superação em torno dos valores da cidade que lhe deu o nome e das pessoas que fizeram dele uma parte inseparável das suas vidas. O FC Porto é hoje parte fulcral do bater do coração da Cidade: vive do amor visceral dos Portistas, mas também contribui para a atividade económica, para a saúde e a prática desportiva de centenas de jovens e para a riqueza cultural e social da comunidade. A ligação entre Clube e Cidade, entre Clube e País e entre Clube e Mundo está hoje em pleno crescendo. Está nas famílias que se encontram no Dragão, nas modalidades, na formação, no Museu, nas nossas Casas e em cada camisola azul e branca que leva o Porto para além das suas fronteiras. Somos o Clube português mais titulado no futebol nacional e internacional e somos também uma marca única, construída sobre um património humano que nenhum balanço consegue medir e que temos a obrigação de preservar. Celebrar este aniversário é reconhecer quem nos trouxe até aqui e assumir a responsabilidade por aquilo que ainda queremos construir. Os nossos Sócios não nos pedem que administremos a memória; pedem-nos que a honremos com trabalho, que defendamos a Instituição e que continuemos a ganhar. Fazemo-lo conscientes de que a dimensão do FC Porto não se esgota no futebol, nem a sua importância pode ser reduzida ao resultado de um domingo. O que representamos na vida das pessoas exige rigor na gestão, ambição desportiva e respeito por uma identidade que atravessa gerações. No campeonato, somamos sete vitórias em sete jornadas. É um arranque que distingue o trabalho de Francesco Farioli e de uma equipa envolvida num espírito profundo de Portismo e que quer sempre mais. O treinador mantém a exigência de quem sabe que um bom começo não dispensa uma época inteira de concentração, e os jogadores respondem com compromisso, disciplina e confiança no seu método. A união que nos levou ao título não ficou apenas na fotografia da festa: continua a sentir-se na preparação dos jogos, na reação às dificuldades e na responsabilidade com que cada um assume o seu lugar no grupo. Há muito campeonato pela frente, muitas armadilhas e nenhuma razão para facilitar. Sete vitórias são sete passos importantes; não são uma autorização para começar a festejar. A vitória no clássico teve, por isso, um significado que ultrapassou o relvado. Vencemos o adversário e respondemos à arrogância de quem passou semanas a tentar diminuir o FC Porto, os seus adeptos e o seu grupo de trabalho. Foram insultos, suspeitas fabricadas e tentativas de condicionamento, servidos em monólogos em que a clubite aguda substituiu o contraditório. Os comentadores do“ Manto Marrom”, essa mistura de verde e vermelho que tão bem traduz o alinhamento da Segunda Circular, parecem já ter fundado um novo clube. Ainda não lhes conhecemos o estádio, mas a sede funciona em vários estúdios e a política de comunicação está perfeitamente coordenada: a necessidade de atacar e menosprezar tudo o que tem a ver com o FC Porto. O pacto de sangue é tal que o telespectador menos atento pode até ficar confundido sobre qual a cor clubística de cada um. A nossa equipa não precisou de responder-lhes ao microfone. Respondeu em campo, com futebol, personalidade e uma vitória que nenhuma discussão de rodapé consegue desfazer, levando-os a ter de lamber as feridas uns dos outros, enlutados pela dor comum de uma vitória do FC Porto. Mas o insólito não se ficou por aqui. As direções e as equipas editoriais dos órgãos de comunicação social, que gastam milhares de euros em especialistas de arbitragem, nacionais e estrangeiros, decidiram fazer vista grossa à opinião dos mesmos, unânimes na apreciação da excelente arbitragem de Miguel Nogueira no clássico. Atrevo-me a dizer que todos estarão com o lugar em risco, porque a isenção neste país conta pouco. Nem especialistas nem ex-árbitros nem diretrizes da UEFA vão prevalecer sobre as opiniões das redações tendenciosas e dos seus diretores e editores executivos, bem como da parafernália de adeptos, ex-funcionários, ex-candidatos, ex--jogadores e ex-colaboradores do Benfica que invadem os espaços de opinião, e tiveram o seu expoente máximo de fanatismo no comentador que afirmou que Gabri Veiga deveria ter sido expulso, e o FC Porto ficar reduzido a 10 jogadores, num momento em que o próprio já nao se encontrava em campo. É este o nivel de credibilidade da informaçao desportiva portuguesa. O absurdo ganha novos contornos quando a suspeita se estende também à SportTV, num campeonato em que o mesmo clube detém os direitos sobre as transmissões televisivas dos seus jogos em casa, num conflito de interesses estrutural e flagrante que, noutras latitudes, seria considerado incompatível com qualquer pretensão de isenção. Que o detentor desses direitos possa decidir, sem escrutínio externo, quais as imagens que chegam ao público e quais permanecem na sala de montagem, é uma situação que dispensaria comentários se não fosse tão conveniente para quem dela beneficia. Haja decoro. Haja decoro! O FC Porto pede há dois anos uma revolução tecnológica para o setor da arbitragem: melhores câmaras, maior número de câmaras, melhores ângulos, melhor definição, tecnologia de fora de jogo semiautomática e tecnologia de linha de golo. E todos, sem exceção, assobiaram para o lado! Trocado por miúdos e para simplificar: o país ia parar porque o Benfica ia ganhar e ninguém ia trabalhar. Para que isso acontecesse, Miguel Nogueira deveria ter sido“ padre”, mas não foi: foi apenas árbitro, isento e sério, em mais um clássico do futebol português. Mas vejamos o lado positivo: com a vitória do FC Porto, perderam-se horas de diretos e filmagens do autocarro do Benfica e assim se pouparam milhares de euros em gasolina, que está muito cara. Que lindo que estava o nosso Dragão nessa noite! Inesquecível! Setembro marcou também o nosso regresso à Liga dos Campeões, competição em cuja era moderna somos o quarto clube com mais participações e uma referência incontornável do futebol português. Voltámos a um palco que conhecemos e onde construímos uma parte essencial do nosso prestígio internacional, mas que hoje exige uma leitura desportiva e económica particularmente atenta. O formato de liga abriu uma nova dimensão competitiva e o ciclo comercial de 2027 / 31 traz perspetivas de crescimento que queremos aproveitar. A nossa responsabilidade é elevar os pergaminhos do Clube sem ignorar que, entre os emblemas do Pote 1, estão potências com uma capacidade financeira que torna cada vez mais difícil equilibrar a competição apenas através do mérito e da qualidade do trabalho. O encontro com o Manchester City mostrou bem essa distância. De um lado, um investimento de cerca de 526 milhões de euros no mercado; do outro, os 32 milhões do FC Porto. Um clube adquirido em 2008 por cerca de 200 milhões de libras é hoje avaliado em aproximadamente 4,1 mil milhões de libras. Não apresentamos estes números como desculpa para uma derrota, mas como retrato da escala em que somos chamados a competir. Encurtar estas distâncias exige astúcia, determinação, investimento criterioso e uma gestão que não confunda coragem com imprudência. Haaland decidiu o jogo, demonstrando a diferença que um dos melhores avançados do mundo pode fazer. Perdemos e temos de retirar desse encontro tudo o que nos permita crescer, sem procurar transformar uma derrota numa vitória moral. Também houve reconhecimento internacional da qualidade dos nossos jogadores e da capacidade competitiva deste grupo. O FC Porto dispõe hoje do plantel mais valioso da sua História, do jogador mais valioso do campeonato e de uma combinação de juventude, experiência internacional e formação da casa que nos dá motivos para acreditar. Preservar o núcleo competitivo da equipa campeã, reforçá-lo e continuar a valorizar os seus jogadores é parte do trabalho de construção de um Clube mais forte e sustentável. Curiosamente, aquilo que merece reconhecimento fora de portas provoca cegueira e coceira entre os especialistas do“ Manto Marrom”. Passaram o verão a fazer contas às nossas dificuldades financeiras e agora parecem particularmente
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