Dragões #478 Set 2026 | Page 36

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SETEMBRO 2026 REVISTA DRAGÕES

A EUROPA AINDA NÃO SABIA

O FC Porto estreou-se nas competições da UEFA a 20 de setembro de 1956, diante do Athletic e com dois José Maria no onze: Pedroto, que viria a mudar a dimensão competitiva do clube, e Matos, autor do primeiro golo azul e branco nas provas europeias. A eliminatória, que terminou seis dias mais tarde, em San Mamés, não trouxe uma vitória nem deixou uma taça, mas abriu uma história para a qual o continente ainda não estava preparado.
TEXTO de ALBERTO BARBOSA

As primeiras vezes têm o hábito injusto de serem julgadas à luz de tudo o que veio depois. Quando o futuro inclui Viena, Sevilha, Gelsenkirchen e Dublin, uma derrota por 2-1 corre o risco de ficar reduzida a nota de rodapé. Acontece que nenhuma história começa no momento em que se torna grande e a do FC Porto nas competições europeias começou numa quinta-feira, no Estádio das Antas, diante de 35 mil pessoas e de um adversário que também estava a descobrir o torneio. Em setembro de 1956, a Taça dos Clubes Campeões Europeus ia apenas na segunda edição e fazia jus ao nome: juntava os campeões nacionais ao Real Madrid, que tinha conquistado o troféu no ano anterior. Eram 22 equipas num mapa ainda em construção, muito antes das fases de liga, dos sorteios informatizados e das noites europeias transformadas em indústria televisiva. Para chegar aos 16 participantes da eliminatória seguinte, foi necessário abrir a competição com uma ronda preliminar e o sorteio colocou frente a frente os campeões de Portugal e de Espanha.

A PORTA EUROPEIA
O FC Porto tinha conquistado o direito a entrar. A época de 1955 / 56 terminou com a primeira dobradinha da história do clube e interrompeu uma espera de 16 anos pelo título nacional. Só que Dorival Yustrich já tinha partido, depois de devolver a equipa ao primeiro lugar, e o banco pertencia agora a outro brasileiro, Flávio Costa, antigo selecionador do Brasil. Do outro lado estava o Atlético de Bilbao, nome imposto pelo regime franquista em 1941, quando obrigou os clubes espanhóis a castelhanizarem as designações. O original Athletic Club só seria recuperado em 1972. A equipa basca também tinha vencido o campeonato e a taça do seu país, era orientada por Ferdinand Daučík e acabara de atingir a final da Taça Latina. O primeiro encontro europeu do FC Porto juntou, portanto, duas equipas que chegavam de uma época a dobrar. A ligação de Daučík ao FC Porto não se esgotou naquela eliminatória. Três anos mais tarde, o treinador que esteve no banco contrário passou para o das Antas e orientou 23 jogos na época de 1959 / 60.
E o mais curioso é que não chegou sozinho à história do clube, porque no plantel também estava o filho Janko, um avançado de 18 anos que marcou nove golos em 16 encontros oficiais. Essa história ainda estava por acontecer. Na tarde de 20 de setembro de 1956, o checoslovaco Daučík continuava do outro lado e o FC Porto preparava-se para jogar os primeiros 90 minutos europeus. Num terreno escorregadio, apresentou Acúrsio; Virgílio e Barbosa; Pedroto, Miguel Arcanjo e Monteiro da Costa; Hernâni, Gastão, Jaburu, Perdigão e José Maria. O Athletic respondeu com nomes de grande peso no futebol espanhol, entre eles Carmelo, Garay e o capitão Gainza. Foi precisamente Gainza a colocar os visitantes em vantagem logo no início, obrigando a equipa portista a perseguir o resultado na sua primeira hora europeia.
UM NOME, DOIS DESTINOS
À passagem do minuto 54, José Maria fez o empate e deu forma ao primeiro golo europeu do FC Porto. O Diário de Lisboa descreveu“ um tento de belo
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