A VISÃO DO PRESIDENTE
AGOSTO 2026 REVISTA DRAGÕES
Ode ao FC Porto
Caros Portistas,
A época 2026 / 27 começou e, com ela, renovam-se as expectativas, as ambições e a responsabilidade de representar o Futebol Clube do Porto em todas as competições e modalidades. Desejo aos nossos atletas, treinadores, equipas técnicas, funcionários, dirigentes, Sócios e Adeptos uma temporada de grandes conquistas, mas também de trabalho sério, união e coragem. Foi essa união, dentro e fora do campo, que permitiu às nossas equipas transcenderem-se, resistirem nos momentos de maior dificuldade e alcançarem os objetivos a que se propuseram. O nosso compromisso com a vitória não muda, tal como não mudam a exigência, o rigor no trabalho, a responsabilidade diária e a consciência de que, no FC Porto, ninguém está acima do Clube.
A Supertaça Cândido de Oliveira marcou o arranque oficial da temporada e trouxe-nos o primeiro título. Encontrámos em Coimbra, num relvado miserável, um Torreense valoroso, organizado e corajoso, capaz de confirmar que a conquista histórica da Taça de Portugal não tinha sido um acaso. A vitória exigiu-nos concentração, sofrimento e respeito por um adversário que discutiu a final até ao último minuto. Vencemos por 1-0, conquistámos a nossa 25.ª Supertaça e alcançámos o 88.º troféu oficial do futebol sénior masculino, assumindo isoladamente o estatuto de Clube mais titulado do futebol português.
Estes são resultados que nos agradam, mas que não autorizam qualquer distração ou euforia. Pelo contrário, obrigam-nos a trabalhar ainda mais. A equipa tem demonstrado compromisso, solidariedade, disciplina e vontade de responder às exigências de cada encontro, compreendendo que nenhuma vitória se transfere automaticamente para o jogo seguinte. Francesco Farioli tem sido determinante nesta transformação. Chegou, percebeu rapidamente o que é o FC Porto e soube agregar os jogadores em torno de uma ideia, de um método e de um objetivo comum. Num curto espaço de tempo, ajudou a inverter o rumo desportivo do Clube, devolveu-nos o título nacional, conquistou a Supertaça e criou uma relação de crença com um grupo que reconhece nele a competência técnica, o rigor, o altruísmo e a capacidade humana para liderar. O sucesso imediato não diminuiu a sua exigência. Aumentou-a. É com essa mentalidade que nos focamos na conquista do campeonato, o título que mais desejamos e que sabemos exigir uma época inteira de concentração, humildade e trabalho.
Infelizmente, as competições portuguesas começaram também exatamente onde terminaram na época passada. Voltámos a encontrar relvados vergonhosos, indignos de competições profissionais, bancadas vazias e transmissões televisivas que parecem descobrir sempre o ângulo perfeito para multiplicar o vazio. Tudo isto contrasta com prosas de autêntica ficção científica, publicadas em determinados jornais e espaços de opinião, nas quais o futebol português surge pujante, moderno, competitivo e irresistível, como se os seus autores habitassem uma realidade paralela. Não se trata de diminuir as nossas competições, mas precisamente de exigir mais a quem as organiza e promove. Uma Liga que quer crescer, internacionalizar-se e aumentar o valor dos seus direitos não pode aceitar campos impróprios, estádios desertos e um espetáculo que fica demasiadas vezes aquém do talento dos jogadores. O FC Porto continuará a defender um futebol português mais forte, mais bem organizado e mais credível, mesmo quando essa exigência incomoda quem prefere elogiar a aparência em vez de enfrentar a realidade. Na arbitragem, porém, há uma notícia verdadeiramente reconfortante: a tão proclamada uniformização de critérios, afinal, existe! Enquanto os jogos do FC Porto se tornaram autênticos ensaios sobre a cegueira, com penáltis claríssimos a evaporarem-se até o VAR ter a seriedade de os devolver ao jogo, nos jogos do Sporting a casualidade arbitral revela uma aleatoriedade quase comovente: os lances capitais parecem encontrar sempre o mesmo sentido e o mesmo beneficiário. Entre golos mal anulados aos adversários e expulsões perdoadas, o ciclo repete-se com uma regularidade que deveria encher de orgulho quem prometeu uniformizar critérios. Não é fácil conseguir que tantas coincidências caminhem sempre na mesma direção ano após ano, ainda por cima com VAR, mas também aí se reconhece a qualidade do trabalho realizado. Aguardemos, por isso, pela próxima aparição do Presidente do Sporting, numa feira do livro qualquer, para nos elucidar sobre o tema. Talvez aproveite para apresentar o segundo volume da sua obra sobre verdade desportiva, desta vez com o sugestivo título:“ A uniformização possível e o milagre da coincidência permanente”.
Já que entrámos no campo da literatura, das ficções e das alegorias, não podemos deixar de assinalar mais um espetáculo protagonizado pelo autoproclamado guardião da verdade desportiva portuguesa. O mesmo comentador que, perante o gravíssimo episódio envolvendo Prestianni, chegou a sugerir que o jogador poderia apresentar uma versão alternativa sobre a palavra utilizada, como forma de“ esvaziar a carga negativa” do caso, decidiu agora batizar o Futebol Clube do Porto de“ Futebol Clube Penálti”, por conta de grandes penalidades corretamente assinaladas. A UEFA acabaria por sancionar Prestianni por conduta discriminatória, mas nem a decisão de um órgão de ética e disciplina parece ter sido suficiente para provocar um momento de reflexão a quem prefere adaptar a verdade às necessidades do clube que pretende proteger. Transformar deliberadamente o nome de uma Instituição centenária num trocadilho de bancada não é análise, não é crítica e muito menos é jornalismo. É desrespeito puro. O mais extraordinário é ver esse comportamento partir de alguém que passa a vida a proclamar movimentos pela paz no futebol, a dizer“ não à violência e ao ódio” e“ sim ao respeito institucional”. O respeito institucional que tanto invoca termina, curiosamente, no instante em que começa o FC Porto. É a velha especialidade do falso moralismo de estúdio: incendiar o debate, alimentar a hostilidade e, logo a seguir, aparecer solenemente como bombeiro. Pode continuar a pregar a paz, mas não pode exigir que confundamos o sermão com a prática, nem a militância com isenção.
Mas não está sozinho. O mês de agosto foi pródigo em narrativas Anti-FC Porto. Ao seu lado surgem os habituais acólitos e cartilheiros do manto verde, entretanto convertidos em especialistas em Alta finança e Direito. Um deles, diretor executivo de um grupo de comunicação, decidiu ridicularizar a posição do FC Porto e do seu Presidente relativamente à eventual suspensão temporária do Presidente do Conselho de Arbitragem. Apoiado num parecer jurídico de vão de escada, garantiu que os estatutos não o permitiam e, não satisfeito com a demonstração de desconhecimento, resolveu transformá-la numa piada sobre gravidez e paternidade. O problema de improvisar aulas de Direito em direto é que os estatutos existem, podem ser lidos e não desaparecem por força de uma gargalhada no estúdio. Acabou com a viola metida no saco, em mais uma demonstração da inutilidade do seu“ jornalixo”.
Mas nunca acertar parece ser um obstáculo menor quando a fidelidade à cartilha é irrepreensível. São também estes especialistas que desconfiam da informação comunicada à CMVM quando os factos contrariam a narrativa que desejam impor, mas encontram sempre uma explicação sofisticada para as operações do clube de coração que, se fossem realizadas pelo FC Porto, classificariam imediatamente como liquidação, destruição de valor ou venda a preço de saldo. Não acertam uma, mas não desistem. E, nesse particular, a perseverança merece reconhecimento.
Continuemos este capítulo com o SL Benfica na versão 2026 / 27, ainda sem“ update” de software para o segundo clube português com mais títulos no futebol. Depois de negarem à Seleção Nacional a utilização do seu estádio, decidiram reservar ao Presidente da Federação Portuguesa de Futebol um lugar na sexta fila da tribuna, após a divulgação não consentida de excertos de conversas privadas que o próprio Pedro Proença classificou como truncados, incompletos e descontextualizados, mas onde o mesmo afirmava ter sido chamado à Polícia Judiciária por diversas vezes no âmbito de processos relacionados com o Benfica e recordava que a instrução dos processos era realizada na Liga Portugal, instituição a que então presidia. Que
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