EM FORMAÇÃO
AGOSTO 2026 REVISTA DRAGÕES
cada etapa dentro do tempo de jogo e terminou a prova como a única equipa com um percurso totalmente vitorioso.
Dois adversários pela frente, dois prémios no fim: Tcherno Jamanca foi o melhor marcador e o MVP da Best Cup.
QUATRO DIAS NÃO ANTECIPAM CARREIRAS, MAS DEIXAM UMA REFERÊNCIA: O FC PORTO VENCEU TODOS OS JOGOS, BATEU O REAL MADRID E O ESPANYOL, DUPLO VENCEDOR DA PROVA, E TROUXE A BEST CUP PARA FORA DE ESPANHA. esperava o Real Madrid. A equipa espanhola chegava igualmente com duas vitórias, mas o significado do confronto ia além desse percurso. Poucos meses antes, o Juvenil A do Real, formado por jogadores sub-18 e sub-19, tornouse o primeiro conjunto espanhol a conquistar na mesma época a Youth League, a División de Honor e a Copa de Campeones, competição que apura o campeão nacional. A equipa apresentada na Best Cup não reproduzia integralmente esse plantel, mas mantinha a ligação a uma geração que tinha acabado de completar uma temporada histórica. Foi o FC Porto a seguir para a final. Um autogolo e o quinto remate certeiro de Tcherno construíram o triunfo por 2-1 e afastaram a academia que se apresentava sob o efeito desse triplete histórico. O Espanyol acrescentava ao último jogo uma dificuldade que não aparecia apenas no relvado. Além de ter vencido as duas edições anteriores, tinha chegado à final com três triunfos e apenas um golo sofrido. Era o campeão, o detentor e, até então, o proprietário exclusivo da competição. Desta vez, a lista de marcadores portistas ganhou um novo nome. João Brito apareceu no momento decisivo, Tcherno voltou a fazer o que tinha feito em todos os encontros e o FC Porto venceu por 2-1, marcando, pela quarta vez em quatro jogos, pelo menos dois golos. O balanço final traduz um desempenho regular: dez golos marcados, três sofridos e quatro triunfos frente a quatro equipas espanholas. Não foram necessários prolongamentos ou desempates por grandes penalidades. O FC Porto resolveu
A semana de Tcherno Tcherno Jamanca chegou a Madrid num momento importante da carreira. Na manhã de 15 de agosto, antes da meiafinal, o FC Porto anunciou a renovação do contrato do avançado de 17 anos. Nessa noite, marcou o golo que afastou o Real Madrid. No dia seguinte, voltou a marcar, conquistou o troféu e recebeu as duas principais distinções individuais. Foram seis golos em quatro partidas: dois frente à Unión Adarve, dois diante do Bétis, um ao Real Madrid e outro ao Espanyol. Nenhum adversário conseguiu sair do torneio sem sofrer um golo de Tcherno e 60 % da produção ofensiva portista teve a mesma autoria. A sequência prolongou o que o avançado guineense já vinha a fazer no futebol português. Depois de chegar ao FC Porto em 2024, terminou a última época na condição de melhor marcador do campeonato nacional de juniores B e sagrou-se campeão nos escalões de sub- 17 e sub-19.“ Vivo dos golos, mas o mais importante é ver a equipa a vencer”, afirmou no momento da renovação. Em Madrid, os números individuais e o resultado coletivo avançaram na mesma direção. A influência do avançado não deve esconder os restantes contributos. Tomás Peixoto marcou nas duas partidas iniciais, João Brito apareceu na final e a equipa sofreu apenas três golos apesar da sucessão de jogos e da necessidade de distribuir minutos. A Best Cup distinguiu um jogador, mas premiou um grupo capaz de conservar identidade e rendimento perante adversários diferentes. A participação surgiu já depois do início do campeonato nacional de sub-19, que o FC Porto começou a defender com uma vitória sobre o Feirense. Por isso, Madrid não encerrou propriamente uma prétemporada. Funcionou como um teste internacional colocado dentro de uma época em andamento e ofereceu uma medida diferente para um conjunto de jogadores em transição entre escalões. Nenhum torneio de formação permite antecipar carreiras nem transformar quatro dias numa promessa, mas a Best Cup deixou uma referência concreta. Na edição mais extensa e exigente da prova de sub- 18, o FC Porto venceu todos os desafios, derrotou o Real Madrid, retirou o troféu ao bicampeão Espanyol e tornou-se o primeiro clube a levá-lo para fora de Espanha.
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