Dragões #477 Ago 2026 | Page 44

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AGOSTO 2026 REVISTA DRAGÕES
Uma camisola para reunir o que a memória já não separa: o rosto de Jorge Costa, a bandeira da despedida e o número 2 que será sempre dele. padrão de exigência para todos os que ali trabalham”. O primeiro aniversário confirmou o alcance dessas palavras: Jorge Costa não está apenas no nome do lugar, está na medida que o lugar impõe. Por isso, dar o seu nome ao centro de treinos não significou apenas fixar uma memória numa fachada. André Villas- Boas definiu-o como“ uma presença e um padrão de exigência” para todos os que ali trabalham. Cruzar diariamente com aquele nome não é entrar num memorial, é receber uma medida e o primeiro aniversário tornou visível até onde ela chega: da equipa principal à formação, dos relvados aos pavilhões, de quem conheceu Jorge Costa a quem aprende agora aquilo que ele representou.
Número, bandeira e vozes Algumas homenagens duram o tempo de uma cerimónia, mas outras são pensadas para continuar depois da data. A camisola especial lançada pelo FC Porto nasceu a partir do equipamento principal de 2026 / 27, mas levou para as costas elementos que atravessam diferentes tempos, como o rosto de Jorge Costa, o número 2 que ajudou a tornar histórico e a bandeira que permaneceu no Estádio do Dragão durante a época do 31.º título de campeão nacional, antes de descer ao relvado na noite da conquista. A peça não recupera apenas símbolos conhecidos, liga o capitão que venceu à equipa que voltou a vencer e transforma a memória numa forma de participação, com a receita a reverter para a Fundação FC Porto. A bandeira que acompanhou uma temporada passa para uma camisola que passa a acompanhar adeptos e o número que pertenceu a um jogador continua a explicar uma maneira de representar o clube. O documentário“ O Capitão” abre outro caminho. Dividida em quatro episódios, a produção dos meios internos do FC Porto reúne imagens inéditas e mais de 50 entrevistas exclusivas a pessoas que se cruzaram com Jorge Costa. A dimensão do trabalho mostra que uma carreira pode ser resumida em jogos, golos e títulos, mas uma vida precisa de vozes. O documentário permite regressar ao jogador, ao capitão, ao treinador, ao dirigente e ao homem sem os separar artificialmente. Sobretudo, permite que novas gerações compreendam o que não aparece numa ficha de jogo: a influência exercida num balneário, a proteção dos companheiros, a exigência no trabalho e a capacidade de colocar o coletivo acima de si próprio. A camisola fixa os símbolos, o
DO CAPITÃO QUE VENCEU À EQUIPA QUE VOLTOU A VENCER, AS HOMENAGENS A JORGE COSTA NÃO SE LIMITARAM A RECORDAR; DEVOLVERAM-LHE UM LUGAR NO PRESENTE.
documentário recupera os gestos, as palavras e as relações. Ambos prolongam a homenagem para lá do aniversário e recusam deixar Jorge Costa encerrado numa única fotografia.
A taça que entrou na igreja Ao final da tarde, a equipa principal, a equipa B, elementos das equipas técnicas, dirigentes, familiares e amigos reuniram-se na Igreja de Cristo Rei para uma celebração marcada por uma emoção diferente da vivida ali durante as cerimónias fúnebres. Diogo Costa levou com ele a Supertaça
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